O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na próxima segunda-feira com o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em Ponta Porã (MS). Segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, energia e a violência na fronteira serão os principais temas tratados. "O Brasil vai escutar o Paraguai e oferecer ajuda", disse o porta-voz.

O Paraguai enfrenta uma série de problemas na área de segurança, recentemente agravados pelas ações do Exército do Povo Paraguaio (EPP), um grupo armado que realiza sequestros, assaltos e ataques a instalações policiais e que também teria ligações com as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC).

O governo paraguaio decretou estado de exceção em cinco Estados do norte do país para combater o grupo. Após a declaração do estado de exceção, o senador Robert Acevedo sofreu um atentado na cidade de Pedro Juan Caballero. Dois brasileiros, que fariam parte da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), foram presos acusados de participação no atentado.

A respeito das ações do EPP, o porta-voz afirmou que "o presidente Lula levará ao presidente Lugo a solidariedade do Brasil e a disposição de colaborar para resolver esse problema". De acordo com Baumbach, já existe cooperação no campo da segurança entre Brasil e Paraguai e que a Polícia Federal está prestando auxílio na investigação do atentado contra o senador Acevedo.

Lula também discutirá com Lugo a decisão do Brasil de manter como refugiados no país três paraguaios que teriam ligações com o EPP. Em 2003, o Brasil concedeu refúgio aos três paraguaios, que alegavam sofrer perseguição política no Paraguai, onde eram acusados de participação em um sequestro em 2001.

Segundo o porta-voz, o refúgio aos três paraguaios foi concedido com base em questões técnicas. "A decisão foi tomada de forma unânime pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) e não existe razão para ser revertida, mas isso não quer dizer que o assunto possa ser reexaminado caso sejam apresentadas novas provas", disse o porta-voz.

Na reunião com Lugo, o presidente Lula também pretende finalizar as negociações para a construção de linha de transmissão de energia para abastecer o mercado interno paraguaio. Apesar de ser sócio de Itaipu, o Paraguai sofre com constantes apagões e cortes de energia. A linha vai gerar 500 kW e o custo estimado da obra é de US$ 400 milhões.

Os recursos fazem parte do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). Há dois anos, o governo brasileiro decidiu dobrar sua participação, de forma voluntária, no Focem, passando de US$ 70 milhões anuais para US$ 140 milhões. Os recursos adicionais seriam destinados, durante quatro anos, à construção da linha de transmissão de energia. Não haverá custos para o governo paraguaio. O Brasil pretende licitar a obra até o final do ano.