Na tentativa de tornar suas marcas e veículos globais, as montadoras chinesas se inspiram no mercado externo para melhorar a qualidade de seus modelos --muitas utilizam o modelo de negócios ou motores de companhias estrangeiras. Mas a inspiração não aparece apenas na tentativa de melhoria de performance, mas também no design de seus veículos.
Apesar de terem seus próprios criadores, muitos contratados na Europa, as companhias chinesas ainda apresentam alguns modelos bastante similares àqueles de companhias europeias, japonesas ou coreanas. No país que é famoso por suas réplicas de produtos que fazem sucesso ao redor do mundo, também é possível encontrar as "cópias" de veículos.A Great Wall, que chega ao Brasil neste ano, trazida pela CN Auto, já enfrentou problemas por causa das semelhanças de seu Peri com o Fiat Panda. Dentro dos padrões de qualidade exigidos, o modelo foi proibido pela Justiça italiana de ser exportado pela Europa por sua semelhança com o europeu.
De acordo com Steven Wang, diretor de marketing da montadora, a produção do modelo já foi descontinuada, e a companhia tem novos planos para exportar carros para a Europa em 2011. As vendas nos países da região devem incluir o SUV Hover e a picape Wringle --dois dos modelos da GW que vêm ao Brasil a partir de outubro.
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A identificação dos carros chineses com os estrangeiros passa também por uma estratégia de marketing. A Brilliance, responsável pela produção das séries 3 e 5 da BMW no país, quer se vender na China como a "BMW chinesa". Não só por produzir os modelos, mas para aliar a qualidade de seus carros às da marca europeia.
A Lifan, por exemplo, traz a partir de junho --pela importadora Effa Motos-- o modelo 320, que lembra muito os carros da marca Mini, da BMW. A diferença entre os dois modelos, porém, fica clara nos preços. Enquanto o 320 foi lançado na China com um preço abaixo de US$ 8.000 na China, o Mini Cooper custa a partir de US$ 37 mil no país.
Outra montadora chinesa, a Shuanghuan, tem dois modelos bastante similares a carros já apresentados no mercado: seu Noble lembra muito o compacto Smart, enquanto o modelo Sceo se assemelha aos SUVs (veículo utilitário esportivo, na sigla em inglês) da BMW, como X3 e X5.
"Precisamos de mais tempo para construir nossa imagem, queremos convencer o mercado de que somos a BMW chinesa", afirma Shadong Jia, vice-gerente geral para América e Ásia da companhia.
No segmento de minivans, representado pela marca Jinbei, o grupo pagou cerca de US$ 10 milhões pela tecnologia Toyota para seus modelos. Agora, mantém o modelo de gerenciamento da montadora japonesa, e o slogan "Nós somos a Toyota chinesa".