O dólar teve a maior alta em quase três semanas nesta terça-feira (27), em resposta à deterioração nos mercados internacionais após o rebaixamento das notas de risco de Portugal e Grécia. A moeda norte-americana encerrou o dia com alta de 1,09%, vendida a R$ 1,765. Na máxima do dia, chegou a subir 1,32%.
"O mercado já abrira em alta, mas a notícia do rebaixamento (dos ratings) de Portugal e Grécia pesou de maneira geral", disse Reinaldo Bonfim, diretor da Pioneer Corretora.
Mais cedo, a agência de classificação de risco Standard and Poor's reduziu a nota de crédito soberano grega para "BB+", primeiro nível do grau especulativo. A agência também cortou o rating de Portugal, para "A-".
O efeito nos mercados foi imediato. O temor de que os problemas fiscais se espalhem a outros países europeus levou as ações do continente à maior queda em cinco meses e derrubou o euro para perto da mínima em um ano frente ao dólar.
Para o operador de uma corretora paulista, que falou sob condição de anonimato, a valorização do dólar nesta sessão não significa necessariamente uma nova tendência, visto que, segundo ele, as perspectivas de fluxo se mantêm firmes.
"Essa alta poderia até estar mais expressiva. Acredito que, na outra ponta, a expectativa pela elevação do juro impediu uma alta maior", afirmou. "Penso até que ele (o dólar) pode testar 1,70 real em breve."
O Comitê de Política Monetária decidirá na quarta-feira o rumo do juro básico brasileiro. As estimativas do mercado variam entre acréscimo entre 0,50 e 0,75 ponto percentual sobre a Selic, atualmente em 8,75% ao ano.