As más notícias vindas do cenário externo, com destaque para o rebaixamento das notas da Grécia e de Portugal pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s, azedaram de vez o humor dos investidores no pregão desta terça-feira (27). A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 3,43%, aos 66.511 pontos - o menor patamar desde fevereiro.
"Lá fora, o mercado estressou com os cortes das notas de Portugal e da Grécia, e a queda do Ibovespa se aprofundou", pontuou o diretor da Interbolsa, Edson Marcellino, que avalia que a maior possibilidade de corte de 0,75 ponto percentual da Selic também contribui para a baixa do Ibovespa.
A Standard & Poor´s rebaixou a nota soberana de longo prazo de Portugal de"A+"para"A-". O rating de crédito de curto prazo caiu de"A-1"para"A-2". As notas têm perspectiva negativa, ou seja, é possível que a classificação piore no futuro.
Para a instituição, a piora na classificação reflete os maiores riscos que Portugal enfrenta agora, com aumento da escassez de financiamento externo e pouca competitividade global.
A agência ainda rebaixou, mais uma vez, a nota de crédito soberana da Grécia, fazendo com que o país perca o grau de investimento. O rating de longo prazo caiu de"BBB+"para"BB+"e o de curto prazo baixou de"A-2"para"B", ambos com perspectiva negativa.
Ao mesmo tempo, a agência atribuiu nota 4 para as emissões da dívida do país, o que significa a estimativa de que os compradores de bônus possam ter uma recuperação"mediana"(30% a 50%) do investimento no caso de um calote.
O rebaixamento, segundo a S & P, resulta de novas avaliações dos riscos enfrentados pela economia do país. As opções do governo estão escasseando, por causa das baixas perspectivas de crescimento e das crescentes pressões para medidas de ajuste fiscal, diz a agência."Os riscos de financiamento de médio prazo relacionados à elevada dívida pública estão crescendo, apesar dos planos de consolidação do governo", afirmam os analistas, em nota.
Antes mesmo dos anúncios, o mercado adotava maior cautela no pregão, analisando o pronunciamento de executivos do Goldman Sachs no Congresso americano.
Além disso, a fala do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, também foi avaliado pelos investidores. O dirigente afirmou que o fracasso em diminuir os déficits orçamentários federais pode causar um"grande prejuízo"para a economia americana no longo prazo.