O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira (27) que o Brasil estaria disposto a examinar uma eventual proposta para troca de combustível nuclear iraniano em seu território, mas destacou que a ideia não foi apresentada ao governo, informou a agência iraniana Irna.
Em entrevista à agência oficial, Amorim confirmou que o país pode examinar a proposta.
- Até o momento, não recebemos nenhuma proposta neste sentido, mas, se recebermos uma, consideramos que poderia ser examinada.
O acordo tenta criar um mecanismo de troca de combustível em que o Irã entregaria urânio "pobre" para ser enriquecido a 20% fora de seu território, proposta que o governo dos aiatolás refuta.
Amorim também insistiu que o Irã e as potências mundiais devem concluir um acordo com mediação da ONU.
- Nós esperamos que este acordo aconteça. Este acordo é significativo e cria confiança entre o Irã e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), mas como em qualquer outra negociação deve existir flexibilidade dos dois lados.
O ministro das Relações Exteriores afirmou que o Brasil não quer novas sanções da ONU contra a República Islâmica, acusada pelas potências ocidentais de desenvolver armas atômicas sob a fachada de um programa nuclear civil.
- Buscamos um meio para impedir as sanções contra o Irã. Pensamos que as sanções não seriam eficazes e apenas afetariam a população, e em particular as classes desfavorecidas.
Ao mesmo tempo, Amorim disse que o Irã deve dar garantias de que seu programa nuclear não tem fins militares.
- O Irã deve ter atividades nucleares pacíficas, mas a comunidade internacional deve receber garantias de que não vai acontecer violação e desvio (da tecnologia nuclear) para fins militares.
O Brasil é membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, que deve se pronunciar em breve sobre novas sanções contra o Irã.
Amorim, que desembarcou nesta segunda-feira (27) em Teerã, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manuchehr Mottaki, com o principal negociador iraniano para a questão nucleares, Said Jalili, e com o presidente do Parlamento, Ali Larijani.