Afastado do governo desde junho de 2009, o ex-ministro Mangabeira Unger (Secretaria de Assuntos Estratégicos) se dedica, desde o início de março, à elaboração do plano de governo que o PMDB pretende entregar à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. A ideia é deixar o documento pronto no início de maio, quando a aliança entre os partidos para estas eleições deve ser formalizada.
A Mangabeira – que é filósofo e jurista - coube elaborar as propostas de longo prazo que o partido gostaria de implementar em um futuro governo. Os detalhes do texto - e da participação do ex-ministro - porém, têm sido guardados a sete chaves pelos integrantes da legenda, que devem se reunir nesta semana para acertar os “retoques finais”.
A expectativa dos peemedebistas é que Mangabeira apresente os trechos mais “futuristas” do programa, que ainda deve passar pelo crivo dos caciques do partido. Alguns temem uma proposta “arrojada demais” para a legenda do senador José Sarney (AP). Isso porque, alguns correligionários não querem arriscar uma proposta que torne o projeto inviável.Embora seja um dos coordenadores do programa, o professor de Harvard descartou, em rápida conversa com o R7 por telefone, que vai se candidatar em outubro deste ano.
De volta aos Estados Unidos desde o ano passado, Mangabeira voltou a lecionar na Universidade de Harvard e deve fazer sua próxima visita ao Brasil no fim deste mês. Na ocasião, ele e outros líderes do partido devem acertar os últimos detalhes do projeto.
Além do ex-ministro, participam da elaboração do programa da legenda o deputado Delfim Netto, o ministro Nelson Jobim (Defesa), o neopeemedebista Henrique Meirelles (presidente do Banco Central), entre outros caciques da cúpula.
Polêmica
A passagem de Mangabeira pelo governo, entre 2007 e 2009, foi marcada por polêmicas, a começar por sua indicação, feita pelo vice-presidente José Alencar, dois anos após o estudioso se referir ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o “mais corrupto da história”.
O ex-ministro chegou a ser apontado como pivô da saída da senadora Marina Silva (PV-AC) do comando do ministério do Meio Ambiente, devido ao seu trabalho à frente do Programa Amazônia Sustentável.
Mangabeira, que era do PMDB, partido que deixou para integrar o PRB de José Alencar - mas para o qual retornou em 2009 - já colaborou como consultor nas campanhas de Ciro Gomes (PSB) à Presidência (em 1998 e 2002). Em 2010, porém, a expectativa é que ele ajude a alavancar a chapa PT-PMDB, cujo vice deve ser o deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara dos Deputado