O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou nesta quinta-feira (15) que o sistema criminal falhou no caso dos seis assassinatos de jovens em Luziânia (GO), cidade a 70 km de Brasília. Para o ministro, é preciso rediscutir o sistema de progressão de penas, que não deveria ser automático em caso de psicopatias. Barreto participa de uma audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. As mães dos jovens assassinados acompanham a audiência.

O pedreiro Adimar Jesus da Silva recebeu em dezembro do ano passado o benefício de regime aberto e dias depois começou a cometer os crimes em Luziânia (GO). O pedreiro estava preso pelo crime de atentado violento ao pudor desde novembro de 2005.

“É claro que o sistema criminal falhou. Quando se discute a progressão de regime, para semi-aberto, aberto ou livramento condicional, se baseia em todo o corpo do sistema prisional, mesmo crimes menores. Neste tipo de crime, onde há questões de psicopatia, a progressão não deve acontecer de forma automática, com um mero exame superficial do indivíduo”, afirmou o ministro.

Ele destacou que criminosos que tenham cometidos ações que envolvam psicopatias devem ser acompanhados de forma diferenciada tanto dentro do sistema prisional como quando deixarem as cadeias. Barreto destacou que seria ideal um acompanhamento semanal da reintegração de presos com estes problemas. O ministro destacou ainda que sem um acompanhamento durante a prisão o preso pode sair “ainda pior” do que entrou.

Para Barreto, o único “alento” no caso é que os crimes foram esclarecidos devido ao trabalho da Polícia Civil de Goiás e da Polícia Federal. “É difícil dar alento para as mães que perderam seus filhos neste crime que foi um dos mais bárbaros do Brasil. O único alento que resta é o crime não ter ficado impune, o assassino ter sido preso e agora será julgado pelos crimes”.