Em ano de eleição as pesquisas de opinião se multiplicam e revelam intenções de votos que continuam sendo alvo de discórdia, principalmente pelos candidatos que se sentem desfavorecidos com o resultado.

Muitas dessas pesquisas são encomendadas por partidos políticos e erros históricos reforçam a desconfiança do eleitorado, a exemplo do que ocorreu em 1985, quando os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (FHC) e Jânio Quadros disputaram a prefeitura de São Paulo.

A vitória de Jânio Quadros foi uma surpresa para o adversário político que era o preferido nas intenções de votos, mas que devido a erros cometidos dias antes do pleito, como uma foto publicada nos jornais no dia da eleição, onde FHC aparece sentado na cadeira de prefeito e uma entrevista na qual afirmou que não acreditava em Deus e já havia fumado maconha acabou mudando o cenário político da época.

Usando as declarações do adversário Jânio reforçou o conteúdo moralista de sua candidatura e chegou a alertar os eleitores para o perigo de Fernando Henrique, se eleito, colocar maconha na merenda dos estudantes. Contrariando as pesquisas de opinião a votação de Jânio Quadros superou FHC até nas regiões norte e Leste de São Paulo, as mais populosas e carentes da cidade.

De acordo com especialistas as pesquisas de intenção de voto orientam estratégias partidárias, determinam os rumos das campanhas políticas e despertam grande interesse no eleitor. Institutos como o Datafolha e Ibope são referências no Brasil. Já em Alagoas o Gape, que pertence ao grupo de comunicação do senador Fernando Collor também realiza pesquisas de cunho eleitoral.

Recente pesquisa eleitoral, realizada pela Vox Populi este mês apontou Vilela, que disputa a reeleição, na frente de Ronaldo Lessa (PDT) – que tenta retornar ao governo do Estado - apesar de ambos nem terem oficializado suas candidaturas, o que só deve acontecer durante as convenções dos partidos, marcadas para junho. Os pré-candidatos já foram aliados, quando Téo era senador e Lessa estava no governo.

No entanto, uma pesquisa divulgada no último dia 12, pela revista Época mostra que Ronaldo Lessa está em vantagem na disputa, aparecendo com 43% dos votos contra 25% do atual governador. Além disso, a ex-ministra Dilma Roussef (PT) aparece como a preferida de mais da metade do eleitorado alagoano.

Pesquisas eleitorais em Alagoas

De acordo com o cientista político Alberto Saldanha a credibilidade de uma pesquisa eleitoral depende do Instituto que a realiza. Ele ressaltou que não dá para confiar em qualquer tipo de pesquisa, que por em alguns casos ser feita sob encomenda pode se tornar tendenciosa.

“A metodologia utilizada nessas pesquisas é importante e não podemos dizer que não revelam nada. Porém, são feitas em dado momento e a imagem dos candidatos pode mudar, com fatos novos. Aqueles que aparecem atrás nos números na maioria das vezes se sentem injustiçados”, afirmou o cientista político.

Saldanha destacou que o resultado dessas pesquisas influencia muitos eleitores, que podem votar em determinado político por achar que ele já vai ganhar ou ainda, por não simpatizar com nenhum candidato e acabar escolhendo aquele que aparece por último na preferência do eleitorado.

“É justamente por isso que pesquisas pré-eleitorais são proibidas ás vésperas da eleição. O indeciso ás vezes é influenciado e os marketeiros se aproveitam disso. Mas, acredito que quanto mais escolarizada a população, maior a capacidade de interpretar esses resultados”, ressaltou Saldanha.

Opinião do eleitorado

O editor de imagens Herberth Nourup contou que costuma votar na legenda para escolher seu candidato e é filiado a um partido político. Para ele, as pesquisas influenciam no resultado das urnas, pois uma grande parte do eleitorado tem isso como termômetro para sair da dúvida e escolher o candidato.

“Essas pesquisas influenciam e podem definir o futuro tanto o candidato que aparece em primeiro quanto o que teoricamente esta em segundo. Eu sempre fui simpatizante do PT, e em 1993 eu trabalhava em uma metalúrgica em São Paulo, onde me envolvi com o sindicato da região e consequentemente resolvi fazer parte do Partido”, destacou.

Já o estudante universitário Rafael Miranda afirmou ter uma opinião socialista em relação à política. Sobre as pesquisas eleitorais ele acredita que há manipulação para tentar conquistar o voto dos indecisos.

“Não apoio esses governos capitalistas, nem a forma como eles tratam as eleições e como governam depois que são eleitos. Usam as pessoas como massa de manobra, deixando elas sem infrestrutura pra decidir o próprio futuro. Quanto mais gente burra num país mais fácil de manipular. Por isso o meu voto é nulo”, desabafou.

Impasse das pesquisas

Muitas pessoas questionam a capacidade de pequenas amostras, que geralmente apresentam menos de 1.500 casos ao estimarem as intenções de votos de populações muito maiores, de milhares de pessoas. As estimativas de intenções de votos são feitas por amostragens, por questões de custo e tempo.

Porém, o resultado dessas pesquisas corresponderia a um dado momento e não a alterações futuras de intenções de votos. Através delas os Institutos avaliam as características dos eleitores. Para realizarem os levantamentos de dados, os pesquisadores dirigem-se aos locais de pesquisa indicados, com planilhas a serem completadas, com percentuais de pessoas por sexo, idade e instrução ou renda.

Existem circunstâncias ou fatores que afetam negativamente a obtenção das amostras como os tipos de amostragens, que se dividem em dois grupos: amostragens probabilísticas e amostragens não-probabilísticas. As amostragens do primeiro grupo, tais como amostragem aleatória simples e sistemática, tendem a gerar amostras representativas.