O delegado que preside o inquérito do caso dos seis jovens mortos em Luziânia (GO), cidade a 70Km de Brasília, pediu à Justiça a prorrogação da prisão do pedreiro Adimar Jesus da Silva, 40 anos, assassino confesso dos adolescentes. O pedido é para que Adimar permaneça detido por mais um mês.
Na terça (13), os policiais voltaram ao local onde os corpos foram achados. Eles procuravam por mais vítimas do pedreiro. Os agentes não encontraram outro cadáver, mas uma pedra supostamente com sangue vai ser periciada.
O tio de uma das vítimas de Adimar participou da varredura feita no local das covas e reconheceu o chinelo do sobrinho escondido em um buraco. “Tudo indica que ele estava pegando os objetos dos garotos e colocando em buraco de tatu, escondendo embaixo de folha ou enterrou também. Pode ser que as roupas também estejam enterradas, já que os corpos foram todos enterrados sem roupa”, disse o parente.
A mãe de uma vítima não acredita que Adimar tenha matado o filho sozinho. “Ninguém. Meus irmãos, o pai dele, todo mundo. Nós não acreditamos. Nem eu acredito que ele tava sozinho”, afirma ela.
A polícia tem outro entendimento e persiste na tese de que o pedreiro matou os rapazes sem a ajuda de ninguém. “O depoimento dele não é coerente. Ele tenta minimizar a ação dele em razão de ser contestado por todos os assassinatos dos seis jovens. Ele tenta criar motivação para os crimes, ou seja, tentar justificar o que é injustificável”, destaca o delegado Juraci José Pereira.
Segundo a polícia, também existe um mandado de prisão contra Adimar por tentativa de homicídio na Bahia. Nos próximos dias, amostras coletadas de dois corpos que estavam mais conservados também podem confirmar se houve abuso sexual. O exame vai ser feito em Goiânia. Nesta quarta-feira (14), a polícia deve fazer nova varredura no local dos crimes em busca de mais provas.
Gurgel defende juiz que soltou estuprador no DF e diz que ‘sistema falhou’
Para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a concessão de prisão domiciliar ao pedreiro mostra a ineficiência do sistema jurídico brasileiro. “Acho que esse episódio de Luziânia demonstra de forma contundente que o sistema não funcionou. O sistema falhou. Portanto, é fundamental verificar onde falhou e procurar fazer as correções necessárias para que fatos como este não tornem a acontecer”, afirma ele.
Em nota, o Tribunal de Justiça do DF informou que não existe no processo um laudo apontando Adimar como portador de transtornos graves, que o impediriam de ganhar a liberdade. A Associação dos Magistrados do Distrito Federal afirmou que os juízes Luiz Carlos de Miranda e Luciana Yuki Sorrentino agiram com profissionalismo aplicando a jurisprudência e a lei, baseando-se em laudos técnicos.