O deputado Francisco Tenório (PMN-AL) participou nesta quarta-feira, 14, da reunião da Bancada do Nordeste, convocada para discutir o endividamento dos produtores rurais do Nordestes e apresentar sugestões ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da Medida Provisória 472, que tramita no Senado e trata da liquidação dos débitos desses produtores rurais. A reunião teve a participação de senadores e deputados de todos estados nordestinos.

"Até mesmo o presidente Lula já reconheceu que as dívidas rurais tem aumentado desproporcionalmente, inviabilizando o pagamento e a vida dos produtores que dependem da terra e a perdem nas negociações", argumenta o deputado Francisco Tenório, para quem há uma necessidade urgente de que o presidente autorize modificar essa política de conversão das dívidas rurais com vistas a melhorar a atual situação dos pequenos e médios produtores. O parlamentar revela que a gravidade dessa realidade é que, uma vez inadimplente, o produtor rural tem suas dívidas executadas e suas propriedades confiscadas pelos bancos.

Atualmente, centenas de produtores rurais da região estão tendo suas pequenas propriedades confiscadas pelos Bancos do Brasil e do Nordeste devido à falta de pagamento de empréstimos contraídos para plantio e colheita. Em Alagoas, a situação é grave e está chamando a atenção do líderes políticos locais, uma vez que são contabilizados prejuízos em vários setores da economia.

De acordo com o parlamentar, para se ter uma idéia há casos de produtores rurais que tem propriedades que chegam a ser menores do que aquelas distribuídas pelo Incra aos trabalhadores sem-terra. "Mesmo assim", revolta-se o parlamentar alagoano, "estão sendo executados pelo bancos, criando uma calamidade social sem precedentes". Tenório adverte que, uma vez executada uma dívida e confiscada uma propriedade, "o banco autor da ação não sabe o que fazer com a terra que veio em pagamento dessa dívida".

Francisco Tenório exemplifica a situação lembrando que um produtor rural tira R$ 10 mil em um banco e ao longo de poucos anos, mesmo tendo enfrentado todo tipo de dificuldades, acaba por ver sua dívida ultrapassar R$ 100 mil. "Imagine aquele produtor que optou por um empréstimo de R$ 50 mil e no final de alguns anos, vê o montante ultrapassar os R$ 500 mil, sem ter como pagar", critica. Francisco Tenório sugere que o Governo olhe "com compreensão e respeito para esse segmento tão sofrido e carente de políticas públicas eficazes e que o mantenham na terra".

Ao final da reunião da Bancada do Nordeste, o Tenório, todos os esforços estão concentrados no sentido de se criar ferramentas para renegociação das dívidas dos pequenos e médios produtores rurais nordestinos, antes que muitas famílias promovam um verdadeiro êxodo rural em massa, o que traria mais problemas para as capitais e cidades de médio porte dos estados do Nordeste.