Quatro testemunhas de acusação do assassinato da missionária Dorothy Stang, morta em 2005, foram ouvidas na manhã desta segunda-feira (12), durante o terceiro julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime.
O juiz Raimundo Moisés Flexa, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Belém (BA), determinou que o prosseguimento do júri mesmo após o defensor de Bida, o advogado Eduardo Imbiriba, não comparecer. Ele foi substituído pelo advogado Arnaldo Lopes de Paula, que solicitou ao magistrado o adiamento da sessão – o que foi negado.
Prestaram depoimento Roberta Lee Spires, a “irmã Rebeca”; a defensora pública Eliana Vasconcelos, que atuou na defesa do também réu Rayfran das Neves Sales; o agricultor Gabriel do Nascimento, que trabalhou com a missionária; além do delegado da Polícia Federal Ualame Machado, que atuou no inquérito. À tarde, serão ouvidas outras três testemunhas.
Bida já enfrentou dois júris populares. No primeiro, em maio de 2007, foi condenado a 38 anos de prisão. No entanto, ele recorreu e conseguiu novo julgamento. Em maio de 2008, o segundo júri o absolveu. O TJ-PA (Tribunal de Justiça do Pará) anulou a sentença e determinou que o acusado respondesse ao processo criminal preso.
Depoimentos
Primeira a ser ouvida, a irmã Rebeca contou como era seu trabalho ao lado da missionária no Brasil. Já a defensora Eliana Vasconcelos negou ter orientado um dos réus a dizer que o crime foi encomendado por R$ 50 mil – o que foi dito por Sales em interrogatório anterior.
O agricultor Gabriel do Nascimento, que desenvolveu diversos trabalhos com a missionária, afirmou que Dorothy não tinha inimigos “e sim invejosos”, e contou que fez várias denúncias às autoridades sobre crimes praticados na região.
O delegado da PF detalhou como foram as investigações, e negou que os réus no processo tenham sido torturados durante o período em que ficaram presos.
Devem depor ainda hoje Amair Feijoli, testemunha arrolada tanto pela acusação quanto pela defesa - e que também figurou como réu no mesmo processo; além de Sales e Clodoaldo Batista, já condenados pelo crime.