Em seu discurso no lançamento não-oficial da candidatura de José Serra, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, pretende abordar o passado de Dilma Rousseff na luta armada contra a ditadura militar (1964-1985). Mas a estratégia eleitoral não é aprovada por expressivas lideranças tucanas e do DEM. Dilma integrou as organizações de esquerda Colina (Comando de Libertação Nacional) e VAR-Palmares.

"Faz parte da história, da luta política do Brasil", reage Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), ex-membro da Ação Libertadora Nacional (ALN), outro grupo da esquerda armada. "Era mais a expressão de uma revolta do que de uma ideologia". O ex-ministro da Justiça no governo FHC e futuro tesoureiro da campanha de Serra, José Gregori, se incorpora a Aloysio Nunes: "Para quem tinha 20 anos, era o que se apresentava. Eu tinha 40 anos quando veio o golpe. A minha opção era lutar pelos Direitos Humanos. Não é por aí. Não acredito que isso vai ser abordado. Serra não entrou na luta armada, mas partiu para o exílio. O importante é mostrar a grande diferença: Serra tem o preparo, a experiência de uma vida. E ela é uma inexperiente."

Para o prefeito de Gilberto Kassab, a passagem de Dilma pela guerrilha também não deve ser atacada. "O importante são as propostas, o programa de governo", diz.

Entre os cardeais tucanos, o senador Arthur Virgilio assume a dissonância: "Respeito o passado, mas foi uma opção errada. A opção certa foi a minha. Entrei para o PCB (Partido Comunista Brasileiro), que lutou pela eleição direta para prefeito, governador e presidente, pela anistia ampla, geral e irrestrita e pela Assembleia Constituinte. O presidente Lula disse que presos de consciência são bandidos. Eu não acho que Dilma seja bandida, somente digo que a escolha dela levava para outra ditadura."