A dona de casa Adriana Silva Farias, de 38 anos, não tem notícias do seu filho Bruno Farias, de 20 anos, desde a noite de quarta-feira (7), quando ocorreu o deslizamento no morro do Bumba, em Niterói, na região metropolitana do Rio. Ela afirmou que na manhã de quinta-feira (8) conversou com um colega do filho, que disse para ela não se preocupar porque ele tinha visto Bruno no mesmo dia circulando pela rua. Mas, a agonia continua, porque o jovem não fez qualquer contato desde o dia da tragédia.

- Meu coração diz que ele não está debaixo dos escombros.

Segundo Adriana, ela tentou ligar várias vezes para a casa do pai de Bruno, mas ninguém atendeu ao telefone. O filho vivia em uma casa no morro do Bumba com a avó paterna e a mulher, que está grávida. Também não há notícias das duas. Adriana vai percorrer abrigos da cidade na tentativa de encontrar o filho.

A diarista Jaqueline Alves da Silva, de 43 anos, disse estar sem rumo em sua vida. Ela contou que sua casa, apesar de não ter sido atingida pelo deslizamento, foi interditada pela Defesa Civil e ela não tem como voltar para pegar os pertences.

Ela afirmou que não tem para onde ir e não tem parentes e tem amigos. Atualmente está vivendo em um abrigo. Ela disse que estava em sua casa quando ocorreu o deslizamento e ouviu dois estrondos muito fortes, seguidos de uma fumaça preta. Para se salvar, teve que fugir pelo mato, porque não tinha passagem pela rua.

- Foi um desespero, as pessoas gritavam desesperadas. Graças a Deus eu estou aqui para contar a história.

Somente em Niterói, são 107 mortos. Equipes de buscas continuam concentradas no morro do Bumba, e o número deve aumentar. No morro do Bumba a Defesa Civil interditou 60 casas.

Na quinta-feira (8), o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que vai priorizar Niterói na distribuição de verbas liberadas pelo governo federal. O Estado receberá R$ 200 milhões.