Já em 2004, houve um alerta sobre os riscos que as casas construídas no morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana do Rio, corriam. Na época, a coordenadora do Nethu (Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos) da Universidade Federal Fluminense, Regina Bienestein fez um estudo na comunidade e constatou que parte das casas foi construída sobre um antigo lixão.
Em vista do problema, a coordenadora elaborou um projeto de recolocação das residências em um local seguro no próprio morro. O trabalho foi entregue à Prefeitura de Niterói, mas não houve retorno. A reportagem do R7 está tentanto entrar em contato com a prefeitura desde o início desta manhã, mas não conseguiu.
O coordenador de um monitoramento ambiental independente no litoral do Rio de Janeiro faz um alerta sobre possíveis novos desastres em Niterói. Mário Moscatelli, do projeto Olho Verde, sobrevoou a região e disse ter visto “centenas de pequenos e médios pontos de tragédia”.
- É muito claro que a iminência de um acidente de grandes proporções está próxima. No Rio de Janeiro, ocorreu uma catástrofe, na região do Saco de São Francisco também, mas é impressionante a situação em Niterói. Você fica perdido com tantos pontos de deslizamentos. Há centenas de pequenos e médios pontos de tragédia na cidade.
O pior local, segundo Moscatelli, é bem próximo à área na zona norte de Niterói que deslizou na noite de quarta-feira (7), soterrando dezenas de casas. A região conhecida como morro do Céu, distante cerca de 2 km do morro do Bumba, está “à beira de um precipício”, afirma o ambientalista.
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Somente em Niterói, são 107 mortos. Equipes de buscas continuam concentradas no morro do Bumba, e o número deve aumentar. No morro do Bumba a Defesa Civil interditou 60 casas.
Marival Gomes, Secretário de Seguranca e Defesa Civil de Niterói, confirmou que a Prefeitura tinha conhecimento do estudo.
- Nós [Prefeitura] temos conhecimento que o trabalho foi feito, mas ele precisava ser colocado em prática. Faltou responsabilidade dos governantes da época para q ele isso feito. Caberia até ao Ministério Público investigar o caso.
Nesta quinta-feira o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que vai priorizar Niterói na distribuição de verbas liberadas pelo governo federal. O Estado receberá R$ 200 milhões.
- O presidente me ligou ontem [quarta-feira] e nesta quinta. Rapidamente liberou R$ 200 milhões para ajudar o Estado, sendo R$ 90 milhões para a capital e outros R$ 110 para outros municípios. Vou priorizar Niterói e São Gonçalo, que foram os municípios mais atingidos.
Os bombeiros acham a possibilidade de encontrar pessoas com vida nos deslizamentos muito remota. Não há prazo para o fim dos trabalhos, mas, na melhor das hipóteses, pode demorar 15 dias.