Enquanto políticos, técnicos ambientais e outras autoridades demonstram estranheza quanto o documento apresentado ontem por três técnicas do IBAMA sobre a instalação do estaleiro Eisa Alagoas, na cidade de Coruripe, e deixam nas entrelinhas que há interesses políticos para travar a construção, a superintendente do órgão em Alagoas, Sandra Menezes rebate as insinuações afirmando que ‘não há interesse do órgão interromper o desenvolvimento do Estado’.

A superintendente, que está em Brasília para participar de um encontro com a direção nacional do órgão, explicou por telefone à reportagem do CadaMinuto que o documento técnico nº 48/2010 do Ibama, elaborado pelas analistas ambientais de Brasília, Ana Margarida Marques Portugal, Flávia Alves de Lima Paiva e Nájla Alves de Moura, veio em resposta ao Memorando nº 54 do órgão em Alagoas.

De acordo com Sandra Menezes, desde que foi anunciada a instalação, em novembro do ano passado, que o órgão buscou informações sobre o projeto. Em fevereiro deste ano, a superintendente manteve contato com a direção do IMA, que também informou não ter conhecimento sobre a instalação do estaleiro. “Foi através de uma convocação do Ministério Público Estadual que o Ibama se posicionou. A partir de então, começou a surgir a indagação se o licenciamento ambiental seria de competência ou não do órgão federal”.

Um dos esclarecimentos dados pela superintendente é referente a várias informações publicadas na imprensa local. “Várias coisas foram divulgadas de forma errônea. O que foi emitido ontem não fui um parecer sobre o licenciamento, mas sim um documento que demonstra de quem é a competência da instalação do estaleiro, além de pontos que mostram quais as preocupações e o impacto ambiental que a obra vai trazer para o município e Alagoas”, afirma Menezes.

A vinda de trabalhadores em busca de oportunidade de emprego, pode gerar a ‘favelização’ e sobrecarga nos serviços públicos, é um dos pontos apresentados no documento. Os impactos que o estado teria seriam em diversas áreas: Educação, Saneamento Básico, Saúde.

Deputados que fazem parte da oposição ao governo de Teotonio Vilela se manifestaram e chegaram a criticar a atitude, insinuando que interesses políticos estariam mascarados nesse documento. Menezes nega essa afirmação. “Minha pergunta é: o documento está assinado por algum político? A análise foi realizada por técnicas competentes e nosso objetivo é fazer um estudo para saber os impactos que a obra vai causar a população. Isso tudo é mentira”.

Ela ressaltou ainda que a preocupação do órgão é exclusivamente ambiental. “Queremos o estaleiro, só que com responsabilidade técnica, de acordo com a legislação federal. São essas construções irregulares que geram vários danos a sociedade. Podemos ver o que está acontecendo no Rio de Janeiro, nas favelas. Tudo isso poderia ser evitado”, finaliza.

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