A tripulação do ônibus espacial Discovery, que foi lançado no dia 5 de abril, começou a testar um novo sistema de filtragem d’água, que pode abrir o caminho para cirurgias espaciais.
A nova tecnologia foi desenvolvida para filtrar impurezas microscópicas e produzir um líquido livre de germes. Se a experiência der certo, o dispositivo poderá ser usado pelo exército americano em lugares remotos e em submarinos e navios.
Segundo Philip Scarpa, gerente de operações médicas do Centro Espacial Kennedy da Nasa, a produção de soros possui vários benefícios, tanto na Terra quando no espaço.
Batizado de Água Limpa, o projeto resultou no filtro d’água IVGEN (Geração de Fluido IntraVenoso, na sigla em inglês). Segundo os pesquisadores, o dispositivo é um grande avanço na produção de água potável durante voos espaciais.
Durante a missão, o Discovery também contará com um novo reciclador especial, que converte o hidrogênio e o dióxido de carbono (CO2) em água potável.
Uma estação espacial como a ISS (Estação Espacial Internacional) conta com 12 litros de líquido a qualquer momento. Um estudo recente da Nasa revelou que uma missão a Marte precisaria levar de 248 litros de soro a bordo.
Até agora, especialistas da Nasa identificaram pelo menos 115 situações nas quais astronautas doentes e machucados podem precisar de soro em uma estação espacial.
A produção de soro para tratamentos médicos poderia diminuir muito os custos e as limitações de armazenamento, além de oferecer mais flexibilidade no uso da água da espaçonave. O maior risco na produção do soro é a formação de bolhas por causa da falta de gravidade no espaço.
A missão STS-131, que partiu na segunda-feira, é um dos últimos quatro voos espaciais da agência espacial americana - no final do ano, a Nasa deverá aposentar seus ônibus espaciais.
Os sete astronautas do ônibus espacial levaram 12,24 mil kg de carga, com suprimentos, equipamentos científicos e peças de reserva para a estação espacial. A missão deve durar 13 dias e contar com três caminhadas espaciais.