O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pediu calma neste domingo após o assassinato do líder branco de ultradireita Eugene Terre'blanche. O crime, que aconteceu na noite de sábado, teria sido resultado de uma discussão com dois funcionários negros de sua fazenda, sobre pagamento. O Movimento Africâner de Resistência (AWB, na sigla em inglês) liderado por Terre'blanche afirma, porém, que ele foi morto com golpes de machado em um ataque com contornos políticos. Segundo Andre Visagie, integrante do AWB, a morte do líder é "uma declaração de guerra" dos negros contra os brancos.

Eleito em 2009 em uma votação ainda marcada pela divisão racial após 15 anos do fim do apartheid, Zuma classificou o ocorrido como um "ato terrível" e convocou os sul-africanos a "não permitir que provocadores se aproveitem da situação incitando ou alimentando o ódio racial." Terre'blanche, de 69 anos, era a voz da oposição linha-dura desde que o regime de segregação racial oficial foi derrubado, em 1994. De lá para cá, porém, seu partido desempenhou um papel marginal e não tem muito apoio entre os brancos, que representam até 10% da população sul-africana.

O AWB afirma que o assassinato de seu líder seria consequência de um discurso do líder juvenil do partido Congresso Nacional Africano (CNA), Julius Malema, que abriu uma polêmica no mês passado ao cantar uma música da era do apartheid que diz "matem os boêres" - palavra da língua africâner que significa fazendeiro branco. Integrantes do movimento disseram que outros países devem evitar mandar suas seleções de futebol para a Copa do Mundo na África do Sul, dizendo que a sede dos jogos se transformou "em terra de homicídios".

- Vamos decidir que ações vamos tomar para vingar a morte do senhor Terre'blanche - disse o porta-voz do AWB Andre Visagie.

O CNA, partido do presidente Zuma, defendeu a canção, dizendo que é apenas uma maneira de lembrar uma história de opressão. O fato inquietou grupos minoritários, especialmente fazendeiros brancos.

- O assassinato de Terre'blanche será visto simbolicamente como uma tensão nessas relações - disse o analista Nic Borain da HSBC Securities. - Mas Terre'blanche é um criminoso antigo e não acho que as pessoas sairão em sua defesa ou que sua morte possa revigorar a oposição dos brancos à nova África do Sul.

Em Ventersdorp, oeste de Johanesburgo, partidários vestindo uniformes militares depositaram flores nos portões da fazenda de Terre'blanche. Dois trabalhadores de uma fazenda foram detidos. A polícia disse que os suspeitos do assassinato têm 16 e 21 anos e trabalharam para Terre'blanche. Ambos devem comparecer ao tribunal na terça-feira.

- Parece que houve uma discussão e os dois foram presos. A polícia está investigando e o público será mantido informado - disse o ministro de Polícia Nathi Mthethwa em uma coletiva de imprensa. - Alguém morreu, vamos nos ater a isso.