O governador da Flórida, Charlie Crist, declarou nesta sexta-feira (30) estado de emergência neste por causa do avanço de uma mancha de petróleo originada em um derramamento que se estende no golfo de México e que ameaça ser uma das maiores catástrofes ambientais da região.

Crist assinou a declaração de emergência para os condados de Escambia, Santa Rosa, Okaloosa, Walton, Bay e do Golfo, no setor noroeste da Flórida, que são os mais expostos ao vazamento de petróleo.

Com a declaração de estado de emergência, a Flórida receberá ajuda do governo federal para fazer frente a uma eventual catástrofe natural.

O vazamento de petróleo no golfo do México alcançou na noite desta quinta-feira a costa da Louisiana, segundo as autoridades locais.

Billy Nungesser, chefe da administração da localidade de Plaquemines Parish, na Louisiana, declarou que a mancha de petróleo - originada em uma plataforma do grupo britânico BP que afundou em 22 de abril - alcançou a costa, reserva de fauna, perto da foz do rio Mississippi.

A mancha não demorou a atingir a costa, ameaçando o frágil ecossistema, apesar dos esforços para impedir o avanço realizados pela Guarda Costeira e o grupo British Petroleum (BP).

O governador da Louisiana, Bobby Jindal, declarou estado de emergência, e o presidente Barack Obama ofereceu todos os recursos disponíveis, incluindo os militares, para evitar uma catástrofe ambiental.

Além de declarar estado de emergência, o governador Jindal pediu a mobilização de 6.000 reservistas da Guarda Nacional.

Vazamento vira catástrofe nacional nos EUA

O vazamento foi declarado catástrofe "de importância nacional", o que coloca recursos federais a serviço da emergência em questão.
O anúncio foi precedido pela descoberta nesta quinta de um novo vazamento de, que despeja no mar mais de 5.000 barris (800 mil litros) por dia, segundo o governo americano.

O principal conselheiro do presidente Obama, David Axelrod, disse nesta sexta-feira à cadeia de televisão ABC que "nenhuma nova perfuração foi autorizada e nenhuma será até que se tenha determinado o que aconteceu (a explosão da plataforma) e saber se se trata de um fato excepcional ou algo que poderia ter sido evitado".

Obama surpreendeu o país ao anunciar em março passado o fim de uma moratória sobre a exploração petroleira no mar, com a esperança de ganhar mais apoio para uma lei de redução das emissões de gases de efeito estufa.

A secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, insistiu que a BP, que administrava a plataforma de prospecções que explodiu e afundou na semana passada, é responsável pelo vazamento e exigiu uma reação rápida da empresa.

Navios da Guarda Costeira e da BP conseguiram cercar com barreiras flutuantes parte da camada para atear fogo e evitar que alcançasse a costa. Mas incendiar a mancha traz novos problemas ambientais, já que provoca grandes nuvens de fumaça negra tóxica e deixa resíduos oleosos no mar.

Mais Estados temem a maré negra

Os outros Estados da região - Flórida, Alabama e especialmente Mississippi - temem que a maré negra afete suas praias e contamine as zonas pesqueiras, cruciais para a economia local.

O Estado mexicano de Veracruz (leste) se declarou em alerta pela mancha de petróleo, e o governador Fidel Herrera afirmou estar alerta para o desenvolvimento do problema.

O Departamento de Saúde de Hospitais da Louisiana advertiu aos habitantes do litoral que "poderão detectar um odor possivelmente por causa do vazamento de petróleo". Disse ainda que está preparado para "tomar qualquer ação que considerar apropriada para proteger a saúde e a segurança públicas".

A plataforma Deepwater Horizon continha 2,6 milhões de litros de petróleo em depósito e extraía cerca de 1,27 milhão de litros por dia.

O afundamento ocorreu em 22 de abril, dois dias depois de uma explosão com posterior incêndio causou a morte de 11 trabalhadores da BP.