A derrota nas eleições regionais deste domingo (21) deve obrigar o presidente francês Nicolas Sarkozy a mexer em seu governo, apesar da pressão de seus aliados em manter os nomes para prosseguir as reformas criticadas pela esquerda, que saiu vitoriosa nas urnas.

Segundo o jornal "Le Monde", a principal vítima da reforma deve ser o ministro do Trabalho, Xavier Darcos, que deixará o governo. Em seu lugar, entrará Eric Woerth, atual ministro das Finanças. François Baroin, nome ligado ao grupo do ex-presidente Jacques Chirac, e Georges Tron, aliado ao antigo primeiro-ministro Dominique de Villepin, serão outros dois novos nomes no governo.

Nas primeiras horas desta segunda-feira, o primeiro-ministro François Fillon se reuniu com Sarkozy no Palácio do Elysée, sede da presidência, em Paris, para iniciar uma série de consultas com os principais membros do governo. Paralelamente, Sarkozy manteve reuniões com personalidades da direita e do centro para uma possível reformulação ministerial, que, segundo a presidência, será modesta, e deve ser anunciada ainda nesta segunda-feira (22).

 

No segundo turno das eleições regionais, última votação na França antes das presidenciais de 2012, a esquerda e seus aliados ecologistas obtiveram 54,05% dos votos contra 35,53% para a direita, liderada pela União para um Movimento Popular (UMP), segundo números do ministério do Interior. A esquerda reuniu o Partido Socialista (PS), a Europa Ecologia e a Frente de Esquerda (liderada pelo Partido Comunista).

A Frente Nacional (FN, extrema direita), de Jean Marie Le Pen, recebeu 9,26% dos votos em nível nacional, equivalente a 1,9 milhão de votos, o que permitirá um bom número de deputados provinciais ao partido.

O Partido Socialista (PS) conquistou 23 das 26 regiões francesas. Nas regiões da França metropolitana, a esquerda tomou a Córsega.

A direita manteve a Alsácia, seu bastião no leste da França, e venceu na ilha de Reunión, no oceano Índico.