Confrontos entre palestinos e a polícia israelense em Jerusalém Oriental, nesta terça-feira, deixaram ao menos 40 manifestantes feridos, segundo fontes médicas. A polícia afirmou que pelo menos dois policiais se machucaram.

O grupo islâmico palestino Hamas convocou um "Dia da Ira" para protestar contra as ocupações de territórios por Israel. O policiamento já havia sido reforçado pelo governo israelense, temendo distúrbios pela cidade.

Segundo o jornal "Jerusalém Post", 60 palestinos foram presos. O comissário de polícia David Cohen, em entrevista ao jornal "Haaretz", disse acreditar que a recente onda de violência não deve levar à terceira Intifada.

Líderes do Hamas mencionaram especificamente a renovação da sinagoga de Hurva, bairro judeu que fica dentro da parte oriental da cidade antiga de Jerusalém, anexada por Israel em 1967. Eles alegaram que o trabalho de restauro foi uma trama de Israel para demolir a mesquita de Al Aqsa, a cerca de 400 metros de distância.

A tensão entre palestinos e israelenses --que ocupam a Cisjordânia desde 1967-- se acirrou nas últimas semanas, depois da decisão do governo israelense de incluir locais religiosos da Cisjordânia no plano nacional de patrimônio judaico.

O anúncio feito na semana passada da aprovação da construção de mais 1.600 casas em Ramat Shlomo, na Jerusalém Oriental, também contribuiu para aumentar a hostilidade. A anexação do território nunca foi reconhecida pela comunidade internacional, e a cidade é pleiteada pelos palestinos como capital de um futuro Estado.

Confrontos espalhados

Os confrontos aconteceram de forma espontânea e intermitente em vários pontos da cidade. Manifestantes atiraram pedras e queimaram latas de lixo e a polícia reagiu com balas de borracha e gás lacrimogêneo. O pior confronto aconteceu em Kalandia, entre Ramallah e Jerusalém.

Segundo fontes palestinas ouvidos pela agência de notícias Efe, houve distúrbios também dentro da cidade antiga de Jerusalém, controlada pela polícia israelense, em duas das portas das muralhas, no bairro de Ras el Amud e Wadi Joz, no campo de refugiados de Shuafat e nas aldeias vizinhas de Isawie e Abu Dis.

Mais de duzentas pessoas participaram de um protesto pacífico em frente à Porta de Damasco, nas muralhas de Jerusalém, liderada pelo ex-candidato presidencial palestino Mustafa Barguti e pelo deputado árabe-israelense Taleb As-Sana.

"Viemos aqui para dizer que não cederemos, que esta é a capital do futuro Estado palestino", disse Bargutti, que pediu aos manifestantes para não usarem violência. O protesto foi dissolvido pela polícia israelense, depois de uma pedra ter sido lançada contra os agentes que vigiavam o ato.