O delegado da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, no Paraná, José Alberto Iegas, informou na manhã desta segunda-feira (15) que o suspeito de matar o cartunista Glauco Villas Boas, Carlos Eduardo Nunes, contou que ficou dois dias escondido no mato para planejar sua fuga para o Paraguai. Para colocar o plano em prática, ele roubou um carro ainda no Estado de São Paulo.
Nunes, que é conhecido como Cadu, também confessou na delegacia da PF que matou o cartunista e o filho mais novo dele, Raoni, na madrugada da última sexta-feira (12), em Osasco, na Grande São Paulo. O suspeito disse ainda que a arma que feriu o policial na troca de tiros na hora da prisão foi a mesma usada para matar Glauco e Raoni. O policial passa bem, segundo informações da PF.
Carlos Eduardo Nunes foi detido por volta das 23h30 de domingo (14) na ponte da Amizade, quando tentava entrar no Paraguai. Ainda segundo Polícia Federal, Cadu confessou que tentava fugir para o Paraguai porque estava sendo procurado pela polícia. Ele está preso em um cela separada na delegacia da PF e vai ficar à disposição da Justiça Federal no Paraná, onde deve responder por tentativa de homicídio em função da troca de tiros com o policial e por receptação. Ainda não há informações sobre quando Cadu deve ir para São Paulo, pois a transferência depende de um pedido da Polícia Civil paulista à Justiça.
No domingo, Archimedes Cassão, o delegado que investiga o crime, havia informado que deveria prender o suspeito de matar o cartunista ainda naquela noite. Ele disse, porém, que acreditava que Cadu ainda estava na Grande São Paulo. Durante a tarde, o motorista que levou Cadu até a casa de Glauco prestou depoimento da Delegacia Seccional de Osasco. Felipe de Oliveira Iasi contou que foi sequestrado por Cadu e que não chegou a presenciar as mortes do cartunista e do filho dele, pois conseguiu fugir do local antes.
Após o depoimento que terminou apenas no final da noite, Cassão disse que Iasi ainda não foi arrolado no inquérito como testemunha e que ele ainda será averiguado para a polícia concluir se, de fato, foi mais uma vítima de Cadu.
O cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, e seu filho Raoni, de 25 anos, foram mortos na sexta-feira (12) em casa na estrada Alpina, no Jardim Santa Fé, em Osasco, na Grande São Paulo.
Carreira
Glauco nasceu em Jandaia do Sul, no Paraná, em 1957. Ele ficou conhecido por suas tirinhas de humor publicadas em livros, revistas e no jornal Folha de S.Paulo. Entre seus principais personagens está Geraldão, um homem na faixa dos 30 anos de idade que ainda mora com a mãe, com quem vive uma relação neurótica, bebe e fuma muito.
Sua carreira como cartunista começou nos anos 70, no jornal Diário da Manhã, de Ribeirão Preto, interior paulista. Em 1976, ele foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o que o projetou para a grande imprensa. Glauco começou a publicar suas tiras no jornal Folha de S.Paulo em 1984, criando personagens como Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.
O personagem Rhalah Rikota, criado por Angeli, é uma homenagem ao amigo Glauco