O novo relator da CPI da Corrupção da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Paulo Tadeu (PT), quer ouvir na próxima semana Durval Barbosa, delator do esquema de arrecadação e pagamento de propina que seria chefiado pelo governador afastado e preso, José Roberto Arruda (sem partido).

O petista tem feito contatos com interlocutores de Durval e vai procurar a Polícia Federal para viabilizar a participação dele. Paulo Tadeu assumiu ontem a relatoria, após a saída de Raimundo Ribeiro (PSDB), amigo e ex-secretário de Arruda.

"A nossa intenção é trazer o Durval na semana que vem. Conversei com pessoas próximas ao Durval e vou procurar a Polícia Federal para marcamos esse depoimento o quanto antes. É fundamental que o trabalho da CPI, que deve ter como foco o inquérito da Operação da Caixa de Pandora, comece ouvindo os esclarecimentos do Durval, que é o autor dessas denúncias", disse.

Em janeiro, Durval chegou a confirmar o depoimento à CPI, mas, na véspera da oitiva, desmarcou argumentando que não poderia prestar esclarecimentos por causa da desorganização da Casa e que não entraria no meio de uma disputa política.

Para o relator, o momento na Câmara é outro e não haverá prejuízos para o delator. Paulo Tadeu afirmou ainda que, se mostrar resistência, Durval poderá ser convocado a prestar depoimento.

"Ele, do nosso ponto de vista, não tem mais como adiar esse depoimento. A Casa passou por uma reorganização, a crise política teve novos desdobramentos como a prisão do Arruda. O Poder Legislativo tem o poder de trazê-lo [Durval], mas ele também pode se reservar a ficar calado", afirmou.

O relator disse que, além de depoimentos presenciais, pretende fazer depoimentos por escritos. "Temos um número muito grande de personagens e essa seria uma alternativa", disse.

A CPI da Corrupção foi reativada ontem após um mês sem comando. A presidência da comissão foi entregue à deputada Eliana Pedrosa (DEM), ex-secretária de Desenvolvimento Social do governo Arruda. A vice-presidência ficou com o deputado Reguffe (PDT).

Além dos três deputados, a CPI ainda é composta por Raimundo Ribeiro, outro ex-secretário de Arruda, e Batista das Cooperativas (PRP), também governista.

Instalada em 11 de janeiro, a comissão foi criada para investigar contratos do governo local que estão sob suspeita de financiarem o esquema de corrupção que envolve o governador afastado.

Na tentativa de tirar Arruda do foco, o pedido estabelece ainda que a investigação deve envolver três gestões do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e uma do ex-governador e atual senador Cristovam Buarque (PDT).

Até agora, a CPI só aprovou requerimento convidando responsáveis por empresas para prestarem esclarecimentos, mas nenhum depoimento foi marcado.