Era agosto de 2009. O ‘Chapão’ ainda não existia e José Pinto de Luna, ex-superintendente da Policia Federal em Alagoas, era disputado por quatro legendas para assumir uma candidatura ao Senado - PT, PC do B, PDT e PSDB.

O delegado acatou pedido de amigos, como o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, e entrou no partido do presidente Lula. Foi lançado pré-candidato e, depois, boicotado, primeiro com o lançamento do ‘Chapão’, do qual nunca foi convidado para qualquer reunião. Depois, com a exclusão de seu nome das pesquisas internas e, agora, com um ensaio da retirada de sua candidatura.

O presidente do PT, em Alagoas, continua negando publicamente que vai retirar a candidatura de Luna, mas o CADA MINUTO apurou que até um pedido para executiva nacional já foi feito, para que o PT Nacional assuma a responsabilidade da retirada de Luna. Mas, em princípio, o pedido foi negado. “Joaquim Brito vai ter que arcar com o ônus da retirada da candidatura de Luna”, disse ao CADA MINUTO, um petista histórico em Alagoas.

“Vai ficar muito feio para o PT retirar a candidatura de Luna, depois de lhe dar a legenda para a disputa do Senado”. A frase é do deputado estadual Paulão, que deixou apenas uma possibilidade para que a ‘rasteira’ acontecesse. “Se o Luna tiver apenas 2 ou 3% nas pesquisas, em julho, não há sentido manter a candidatura”. O problema para o PT é que ele já tem 13%, em março.

Os candidatos a deputado estadual e federal pelo PT, entre eles Joaquim Brito, sabem que a simples retirada do nome de Luna em prol de Renan e Benedito de Lira prejudicaria suas candidaturas e diminuiria o chamado voto de legenda, maior esperança do partido para a eleição do segundo deputado estadual em outubro.

“Todos sabem que o crescimento de Luna impulsionaria outras candidaturas, e que a retirada dele deixaria o PT sem chance alguma de almejar algo melhor que a eleição de Judson” explicou outro petista.

O cenário ideal seria que Pinto de Luna aceitasse uma candidatura para a Assembleia Legislativa. Este pedido vai ser feito e toda a “infra-estrutura” vai ser proposta, mas o delegado, que tem um blog aqui, no CADA MINUTO, já adiantou que não vai aceitar

“Olha... até agora eu acredito no compromisso firmado pelo meu presidente, o Joaquim Brito. Sou candidato tão somente ao Senado. Estou todos os fins de semana no interior do Estado, fortalecendo minha candidatura e a militância fechou comigo. Então, acredito que minha candidatura é irreversível”, garante Pinto de Luna.

De acordo com o pré-candidato ao governo do Estado, Ronaldo Lessa (PDT), eles vão fazer uma consulta jurídica para definir o número de candidatos ao Senado, mas todos já sabem o resultado. Esta eleição é majoritária e a coligação não pode apresentar mais de dois candidatos ao Senado, assim como não pode apresentar dois candidatos ao governo.

Para o público ficou a frase mais contundente sobre a questão. “O ‘Chapão’ tem que dizer logo que os candidatos ao Senado do grupo são Benedito de Lira e Renan Calheiros”, assim falou Cicero Almeida, na frente de Joaquim Brito, durante a reunião de lançamento da candidatura de Lessa, escancarando o que já está definido pelo ‘Chapão’. A resposta de Brito: “Olha... nada está decidido ainda”.