A política alagoana tem sido influenciada pela presença marcante das mulheres, que mesmo sendo minoria têm exercido um trabalho que merece reconhecimento nacional. Nomes como o de Selma Bandeira, Ceci Cunha e Heloísa Helena se destacam e levaram outras representantes femininas a buscar, em uma área dominada pelos homens, uma atuação brilhante.
Na Câmara municipal das 21 vagas sete são ocupadas por mulheres – Rosinha da Adefal, Thayse Guedes, Fátima Santiago, Heloísa Helena, Teresa Nelma, Amilca Melo, Silvânia Barbosa. Mas, na Assembléia Legislativa (ALE), marcada por escândalos de desvios de verbas, a representatividade feminina pode estar ameaçada, já que a maioria dos candidatos, inclusive aqueles que tentam a reeleição é masculina.
A deputada estadual Flávia Cavalcante (PMDB) deverá tentar a reeleição enquanto Cáthia Lisboa (PMN) pode abrir mão de disputar o cargo, por conta do marido, Inácio Loyola, que poderá ser candidar a uma vaga na ALE. Patrícia Sampaio e Cátia Born também serão candidatas. Rosinha da Adefal e a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha disputarão um lugar na Câmara Federal.
A história da participação da mulher na política tem como marco inicial a conquista do direito ao voto em 1932. Embora a reforma política estabeleça cotas para as mulheres, já que os partidos devem destinar 30% da composição a elas setores que defendem a igualdade de gêneros reivindicam 50% para resolver a questão.
Esta semana devido ao 8 de março, dia internacional da mulher a bancada feminina do Congresso quer levar ao plenário a votação de uma proposta para criar “cotas” para as mulheres na cúpula de comando da Câmara e do Senado: as Mesas Diretoras. A votação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 590/2006, da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), determina que as chapas que concorrem à Mesa Diretora tenham pelo menos uma mulher.
Isso porque entre os eleitores, as mulheres são maioria, representam 51,82% dos votantes, contra 48,07% de homens, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Apesar de ser a maioria do eleitorado, as mulheres são minoria no Congresso e nos cargos eletivos. Dos 51.893 vereadores eleitos em 2008, só 6.496 são mulheres (12,51%), contra 45.397 homens (87,49%). No Senado, são dez mulheres entre os 81 senadores. Na Câmara, 45 mulheres exercem o cargo entre os 513 deputados federais.
Alagoanas na política
Para o cientista político Eduardo Magalhães, em Alagoas, mesmo em menor escala, a presença feminina na política tem sido brilhante. Ele lembrou que isso se deve ao fato delas prezarem mais pela moralidade e se envolverem menos em casos de corrupção.
“Na década de 30 elegemos uma deputada estadual e na administação municipal há nomes de destaque, como o de Célia Rocha que entregou ao atual prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa uma cidade com infra-estrutura para o desenvolvimento. Já a deputada federal Ceci Cunha se destacou também como vereadora”, lembrou o cientista político.
Magalhães afirmou que apesar da atuação de algumas mulheres ficar nos bastidores, como é o caso da deputada estadual Flávia Cavalcante o trabalho desenvolvido tem sido importante. “Ela pode ser reeleita, embora tenha um estilo menos voltado para os holofotes. As vereadoras Heloísa Helena, Teresa Nelma, Fátima Santiago e Rosinha da Adefal também têm um futuro promissor, assim como a prefeita de Piranhas, Melina Freitas que vem de uma família de políticos”, destacou.
Ele lamentou o fato de muitas mulheres lançarem candidatas apenas para compor as chapas e cumprir a legislação, que determina que 30% das vagas dos partidos devem ser ocupadas por elas. "Com a atuação feminina teremos mais decência na política. Essa é uma caracterísitca especial delas, o que deixou de fazer parte do comportamento masculino. Lideranças sindicais, de associações e de grupos profissionais podem futuramente mudar a situação no Estado”, afirmou.

