Recém-eleito líder do PSDB na Câmara, o deputado federal João Almeida (BA) afirmou em entrevista ao R7 que seu partido não teme que a provável campanha presidencial do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seja afetada pelos escândalos de corrupção envolvendo seu aliado de primeira hora: o DEM, ex-partido do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), e da maioria dos suspeitos de participarem do suposto pagamento de propina no coração do governo distrital. Almeida disse ainda que, apesar da demora em anunciar sua candidatura, Serra não vai ceder seu lugar a Aécio.
Leia, abaixo, a entrevista completa:
R7 – O PT lança Dilma como pré-candidata à Presidência da República neste sábado. Como o senhor encara a festa de R$ 6,5 milhões gastos para esse lançamento?
João Almeida - A rigor a candidatura dela já foi lançada há muito tempo. O Lula já empurrou a Dilma goela abaixo do PT, que assimilou. Nós buscamos sempre o cumprimento fiel da legislação eleitoral, que proíbe campanha antecipada. Mas nós teremos de analisar depois da festa realizada o que aconteceu para ver se é possível o enquadramento legal, uma vez que o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] tem sido muito liberal em acatar as ações de campanha de dona Dilma e seu promotor, Lula.
R7 - E o lançamento da candidatura Serra? Não está na hora?
Almeida - Daqui até a sua descompatibilização [quando o governador terá de deixar o cargo para ser oficialmente candidato], esse lançamento pode acontecer a qualquer hora, mas não temos ainda uma programação definida.
R7 - O senhor concorda com essa indefinição?
Almeida - Eu acho que está correto. O que se fez aqui foi o possível. Depois que o candidato se coloca, começa a receber cobranças e demandas impostas a um candidato. O Serra, como Aécio anteriormente, não poderia responder a essas demandas por ser governador do seu Estado e porque não teria a desenvoltura em descumprir a lei eleitoral, como faz a ministra Dilma.
R7 - Como PSDB avalia o crescimento da ministra nas pesquisas eleitorais?
Almeida - O crescimento dela é natural dado o esforço feito por Lula em fazer uma campanha aberta e à exposição de mídia a que ela tem se submetido. Ela já deveria ter alcançado, pelo menos, um terço do eleitorado. O que surpreende é que ela ainda não tenha chegado lá. Em contrapartida, o Serra, sem qualquer movimento de campanha, aparece em todas as pesquisas como favorito.
R7 - A chapa puro-sangue está 100% descartada?
Almeida - Eu não gosto da denominação porque pode parecer uma coisa pernóstica. Gosto da chapa Serra e Aécio, a união dos dois governadores mais bem avaliados do país. Esse é o sonho de todos nós. Não sabemos se vamos conseguir realizá-lo. O Aécio, embora esteja dedicado à campanha de Minas Gerais, tem indicado que a política tem uma agenda própria, a eleição também, o que pode eventualmente mudar o destino que cada um traça para si.
R7 - Então o senhor acredita que o destino dos dois pode mudar e o Serra acabe desistindo de concorrer em favor do Aécio?
Almeida - Não vejo possibilidade de o Serra desistir porque ele tem compromisso com o partido.
R7 - O senhor não acha que os escândalos envolvendo o DEM no Distrito Federal podem comprometer a imagem do PSDB nas eleições presidenciais, já que os dois partidos são aliados históricos?
Almeida - Não é bom ter um aliado envolvido em episódios como o que se envolveu o Arruda no Distrito Federal. E não é bom perder um governador com a avaliação que ele tinha dada sua obra administrativa, mas o DEM fez a cirurgia de forma adequada. Não creio que isso possa contaminar nossa campanha. Veja, por exemplo, que o mensalão pesa sobre a cabeça do PT até hoje mesmo acobertado, aprovado e justificado pelo Lula que, no entanto, se reelegeu.
R7 - Uma nova derrota presidencial não pode abrir uma crise no PSDB?
Almeida - A palavra “se” pesa mais que um elefante morto. É preciso removê-la para que possamos examinar a situação. Eu me nego a fazer esse exame porque não credito que isso vá acontecer.