É impossível ir a qualquer evento carnavalesco no Rio sem encontrar grupos de rapazes e moças, de pele muito branca, retorcendo-se em uma cadência remotamente parecida com a que sai dos pandeiros e tamborins. São os turistas estrangeiros que vieram curtir o nosso tríduo momesco. E, com a experiência de quem arrastou muito a sandália por aí, uma comissão julgadora informal ouvida pelo JB aprovou a cidade nos quesitos limpeza, segurança e transporte. Dois deles são os ingleses David Plaisant, 26, e Jessica Stansfeld, 27, que nesta terça-feira à tarde esperavam a saída do bloco Me Enterra na Quarta, em Santa Teresa.

– Achei a limpeza muito boa – elogiou a produtora cultural Jessica. – Todos os dias, depois da passagem de algum bloco, os garis imediatamente retiravam o lixo.

Seu amigo, o arquiteto David, disse não ter tido problema de segurança e que não se sentiu ameaçado em nenhum momento. Achou que as ruas onde havia blocos tinham um número suficiente de policiais e também elogiou a eficiência dos garis cariocas, que deixavam tudo limpo pela manhã.

– Quanto aos banheiros acho que não há como tê-los em número suficiente para a multidão que sai às ruas. E achei um pouco complicado vir de São Conrado, onde estou hospedado, para a Zona Sul. Os ônibus e vans quase sempre estavam lotados.

A jornalista francesa Cecile Mouries, 30, ficou satisfeita com a limpeza da cidade durante o Carnaval. Mas se disse impressionada com a quantidade de lixo que o carioca joga na rua. Acha que falta um pouco mais de cuidado dos donos da casa.

– Durante o Carnaval, não há como a cidade ficar completamente limpa. Em Copacabana, depois da passagem de um bloco, vimos uma montanha de lixo que as pessoas jogaram na rua. Em relação ao transporte, senti falta de informação. Em Santa Teresa, por conta dos blocos, em alguns horários não passavam bonde nem ônibus.

As estudantes francesas Luci Elgdyhen, 24, e Juliette Hirtz, 22, que almoçavam em Santa Teresa, também elogiaram a eficiência dos garis. Não tiveram problemas com segurança, mas também não levaram muito dinheiro na carteira.

– Vi muitos policiais na rua e me senti segura – aprovou Luci. – Até visitamos a Rocinha. Achamos impressionante como limpam rápido a sujeira dos blocos.

Enquanto a maioria dos turistas ouvidos pelo JB elogiou a segurança durante o Carnaval, um visitante neozelândes foi parar no hospital nesta terça-feira de madrugada, após brigar com um catador de latinhas na Rua Mem de Sá, na Lapa.

Segundo policiais da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), Allan Swann, de 26 anos, teria esbarrado no saco de latas recolhidas por Fábio Fernando dos Santos, 33 anos. Irritado, o catador, que vive nas ruas, teria tirado satisfação com turista. Como só fala inglês, Allan não entendeu o que acontecia.

Como também não entendia o turista, Fábio deu um soco em Allan. A namorada e um amigo do neozelândes, que o acompanham durante a viagem, além de populares que viram a confusão, ajudaram o estrangeiro. Policiais do 13º BPM (Praça Tiradentes) levaram os dois para o Hospital Souza Aguiar, no Centro, onde foram submetidos a exames e liberados em seguida.

O estrangeiro machucou o nariz e sofreu cortes no rosto. Pela manhã, ele se dirigiu até a Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), no Leblon, onde prestou depoimento. Fábio, que nada sofreu, foi autuado por lesão corporal leve na 14ª DP (Leblon), que registrou o caso.