A Rússia anunciou nesta quarta-feira o adiamento da entrega de mísseis de defesa aérea S-300 ao Irã, um dia depois da visita a Moscou do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que pediu a aprovação russa a novas sanções contra o programa nuclear iraniano.
"O adiamento se deve a problemas técnicos. A entrega acontecerá quando estiverem resolvidos", declarou Alexander Fomin, diretor adjunto do serviço russo de cooperação técnico-militar.
O contrato de venda de mísseis de defesa aérea S-300 provoca muitas críticas nos Estados Unidos e em Israel, que temem que o Irã utilize os mesmos para proteger suas instalações nucleares.
Russia e Irã entraram em acordo quanto ao contrato em 2007. Alguns observadores sugerem que a Rússia está atrasando a entrega para pressionar o Irã a cooperar com a comunidade internacional.
O anúncio do presidente iraniano na semana passada de seus planos para produzir urânio enriquecido a 20% para seu reator e construir mais dez usinas nucleares em apenas um ano instigaram uma campanha internacional, liderada pelos EUA e Israel, para uma nova rodada de sanções.
Para tal, são necessários nove dos 15 votos do Conselho de Segurança e nenhum veto dos cinco membros permanentes --EUA, China, Rússia, Reino Unido e França.
A Rússia declarou nesta terça-feira que não mudou sua postura em relação a uma nova rodada de sanções contra os avanços do programa nuclear iraniano, mas deixou uma abertura ao admitir que medidas punitivas não devem ser excluídas caso Teerã não cumpra suas obrigações.
A Rússia assinou ainda uma carta, redigida também por França e EUA, dizendo estar preocupada com a escalada do programa nuclear do Irã. O documento foi entregue à Agência Internacional de Energia Atômica, organização ligada à ONU e foi recebida como mais um sinal do endurecimento da posição russa em relação ao programa nuclear iraniano.