A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) afirmou neste domingo que suspendeu o uso do sistema lança-mísseis na operação em Marjah, na Província de Helmand, até que sejam feita uma inspeção no equipamento. A aliança atlântica admitiu ter matado doze civis ao lançar dois foguetes que erraram o alvo.
O general Stanley McChrystal, comandante das forças dos Estados Unidos e da Otan no Afeganistão, pediu desculpas ao presidente afegão, Hamid Karzai, pelo que considerou um acontecimento "infeliz".
Segundo comunicado assinado por McChrystal, os dois foguetes lançados pelas tropas da Otan tinham como alvo um refúgio do grupo islâmico radical Taleban, de onde militantes lançavam "fogo preciso e direto" contra as forças aliadas.
Um militar afegão e um estrangeiro ficaram feridos pelos disparos dos insurgentes no distrito de Nad Alí, na região da Província de Helmand, foco da operação.
O foguete, contudo, desviou cerca de 300 metros e atingiu uma casa de civis.
"A atual operação no centro de Helmand está dirigida a restaurar a segurança e a estabilidade nesta zona vital do Afeganistão. É lamentável que, durante o curso de nosso esforço conjunto vidas inocentes tenham sido perdidas", disse McChrystal.
"Expressamos nossos mais profundos pêsames e asseguramos que faremos o possível para evitar futuros incidentes", continuou.
Crítica
Pouco antes do comunicado da Otan, Karzai afirmou que dez civis morreram quando um projétil atingiu sua casa em meio à operação das forças internacionais.
"O presidente Hamid Karzai está profundamente triste com a morte de dez civis ao cair um foguete numa casa durante a operação militar", afirma um comunicado da Presidência afegã. "O presidente ordenou uma investigação", acrescenta o texto.
O presidente Karzai pediu neste sábado às tropas dos EUA que evitassem a morte de civis durante os combates previstos na grande operação e que, para tal, descartasse o uso de bombardeios em áreas povoadas por civis.
Milhares de moradores de vilarejos da região deixaram suas casas em antecipação à operação militar, depois que helicópteros da Otan despejaram folhetos sobre a região pedindo para que os moradores deixem a área.
A morte de civis é um dos temas mais delicados da ação das forças da Otan na luta contra o grupo islâmico radical Taleban no país. O próprio McChrystal afirmou em relatório entregue no ano passado ao governo que, ao causar a morte de civis e danos colaterais \'desnecessários\', a coalizão pode perder a batalha contra o Taleban.
Ofensiva
A ofensiva, que reúne cerca de 15 mil militares, foi anunciada como uma das maiores da guerra que começou há oito anos, após os ataques terroristas de 11 de Setembro, atribuídos à rede terrorista Al Qaeda, abrigada pelo Taleban.
Ela foi batizada de Mushtarak, que significa \'juntos\' no idioma local, pashtun, é é a primeira operação que conta com a participação das tropas afegãs no planejamento --resultado, segundo a Otan, do grande investimento em treinamento das forças locais.
O primeiro grande ataque desde que o presidente Barack Obama ordenou o envio de mais 30 mil para o Afeganistão, em dezembro, é o início de uma campanha para impor neste ano o controle do governo em áreas controladas pelos rebeldes, antes que as forças americanas comecem a se retirar gradualmente --em 2011, segundo os planos do Pentágono.
Cerca de 4.500 fuzileiros navais americanos, 1.500 soldados afegãos e 300 soldados americanos participam na ofensiva na região de Marjah. O plano foi anunciado há semanas, para alertar os civis de Marjah e conquistar seu apoio, e estimular o Taleban a depor armas.