O clima está literalmente quente nas ruas do Rio. Não só do ponto de vista térmico como no sentido figurado da palavra. A temperatura escaldante deste verão vem atuando como fator determinante para o incremento das estatísticas negativas do trânsito carioca. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), no último mês de dezembro houve 3.772 casos de lesão corporal no trânsito, média bem superior às de outros meses. Em julho do ano passado – auge do inverno – esse número ficou na casa dos 3.440, cerca de 300 casos a menos. Em outras palavras, pode-se dizer que o excesso de calor vem contribuindo para o aumento da violência no volante.
– Altas temperaturas mexem com a pressão arterial e produzem uma sensação de desconforto, levando muitos a extravasarem suas emoções – explica a diretora do Departamento de Psicologia da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Raquel Almqvist, que completa: – As pessoas que vivem em cidades grandes estão sujeitas a vários fatores estressantes no trânsito, como engarrafamentos, possibilidades de atraso, sem contar que muitos motoristas têm uma falsa impressão de segurança, achando que estão mais fortes dirigindo um veículo. Esses fatores todos somados ao calor, levam muitos a um estado permanente de agressividade.
Apesar de não haver uma radiografia completa da estatística, é notório que a maioria dos motoristas que vêm se envolvendo nessas brigas e acidentes de verão estão dirigindo veículos com temperaturas consideradas insuportáveis para os padrões humanos. Entre eles, contam-se os condutores de ônibus sem ar-refrigerado, vans, caminhões, kombis e veículos de passeio também sem ar.
– No mês passado, morreu de enfarte um motorista da linha 433 (Leblon-Vila Isabel). A causa foi o forte calor que estava fazendo no ônibus. Dirigir nessas condições é muito agressivo para o corpo humano e isso mexe com o emocional da pessoa – diz o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, Oswaldo Garcia Gomes, que afirma que a classe reivindica ainda uma redução na jornada de trabalho, limitada a seis horas diárias.
Paliativos
Já que, para muitos motoristas, não é possível dirigir a uma temperatura agradável, a dica para evitar o estresse no trânsito estaria em hábitos mais saudáveis e melhor preparação no aprendizado da direção.
– Se as condições climáticas, não ajudam, dormir e se alimentar bem podem influenciar positivamente na direção – afirma o diretor do Grupo Auto-Escola Sim, Marco Antônio dos Santos Barbosa. – O Rio é um dos estados com pior educação no trânsito. Acho que isso ocorre porque falta um rigor na aplicação das leis.