Quatro pessoas tiveram ferimentos leves durante um confronto entre integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e funcionários e familiares de um ex-oficial da Polícia Militar do Paraná que disputa a posse de terra com os acampados no interior do Estado. O conflito aconteceu na zona rural de Ponta Grossa (120 km de Curitiba) na tarde de anteontem.
Os sem-terra disseram que reagiram \'em nome da própria segurança\' quando o tenente coronel reformado da PM Valdir Copetti Neves, que reivindica na Justiça a área como sua, mandou funcionários atirarem em direção ao acampamento do MST montado no imóvel.
As barracas foram erguidas durante a invasão de cerca de 200 pessoas do movimento, há nove dias. O MST pede a inclusão do imóvel de 600 hectares, conhecido como fazenda São Francisco 2, no plano de reforma agrária.
Já os integrantes da família de Neves disseram à polícia que foram os sem-terra que começaram as agressões ao tentar aumentar a área invadida, desrespeitando uma linha divisória criada para separar os dois lados de um possível confronto.
Os sem-terra rebatem dizendo que "capangas" é que resolveram diminuir o tamanho da linha divisória para tentar intimidar os moradores do acampamento.
Os feridos --Neves, uma de suas filhas e dois de seus funcionários-- tiveram escoriações pelo corpo, segundo a PM de Ponta Grossa. Apesar disso, ninguém foi preso.
Equipes da polícia local chegaram à fazenda depois da briga e permanecem no local. Até a tarde de ontem nenhum outro conflito havia sido registrado na área.
O confronto aconteceu um dia depois de a Justiça Estadual determinar a desocupação do imóvel pelo MST e a devolução a Neves. A São Francisco 2 também é alvo de disputa judicial entre Neves e a Embrapa.
O advogado de Neves, Carlos Eduardo Martins Biazetto, disse que o cliente "sofre perseguição política do MST por ter cumprido dentro da legalidade [durante sua carreira como policial] mais de 90 reintegrações de posse".
Invasão em SP
A Fazenda Bartira, em Martinópolis (553 km de São Paulo), foi invadida na madrugada de ontem por cerca de 20 pessoas. De acordo com a PM, militantes ligados ao MLT (Movimento Luta pela Terra) arrombaram o cadeado da porteira da propriedade e montaram um barraco no local.
A propriedade não consta da relação de 61 locais em São Paulo que alguns movimentos declararam que seriam alvos no Carnaval.