Após se reunir na noite desta sexta-feira com o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), o advogado Nélio Machado afirmou que o chefe do Executivo local não pensa em renunciar ao cargo. Segundo o advogado, ao retomar a liberdade, o governador que também se licenciou do posto em carta enviada à Câmara Legislativa, deve se manter afastado do governo.
Hoje, durante uma reunião na Câmara Legislativa deputados da base aliada e da oposição cobraram a renúncia de Arruda. O recado foi trazido pelo secretário Alberto Fraga (Transportes). Na tentativa de pressionar o governador, os distritais convocaram para quinta-feira a reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que vai analisar os pedidos de impeachment do governador.
Nos bastidores, parlamentares afirmam que há um acordo para que os pedidos de afastamento sejam aceitos. Se passarem pela CCJ, os três processos precisam passar por uma comissão especial a ser criada para chegar ao plenário.
"Jamais ouvi a palavra renúncia do governador. [...] A preocupação agora não é com o governo. O vice-governador é qualificado e a nossa preocupação e de devolver a liberdade imediata do governador. A minha recomendação como advogado é que ele mantenha um distanciamento do cargo para se defender", disse.
Machado afirmou que pela excepcionalidade do caso está confiante que o STF (Supremo Tribunal Federal) deve analisar na semana que vem o pedido de liberdade de Arruda, que foi negado hoje pelo ministro Marco Aurélio Mello.
O advogado voltou a criticar a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de determinar a prisão do governador e mais cinco envolvidos na tentativa de suborno do esquema de corrupção e pagamento de propina. "Em 75 dias o governador não foi ouvido uma única vez sequer", afirmou.
Prisão
Na decisão tomada nesta sexta-feira que mantém o governador Arruda preso, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, afirma que a decisão do STJ de decretar a prisão do governador cumpriu todos os requisitos legais necessários.
Marco Aurélio afirma que a prisão do governador era necessária para "preservar a ordem pública e campo propício à instrução penal considerado o inquérito em curso".
O ministro diz, ainda, que o momento é "alvissareiro" para a correção de rumos no país, extinguindo a impunidade. "Indefiro a liminar. Outrora houve dias natalinos, hoje avizinha-se a festa pagã do Carnaval. Que não se repita a autofagia", diz o ministro.
Com a o pedido de liminar negado por Marco Aurélio, a defesa de Arruda terá que esperar o fim do Carnaval para que o plenário do STF julgue o mérito da decisão do ministro. A próxima sessão plenária do Supremo está marcada para quarta-feira de Cinzas.
Até lá, Arruda fica preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A defesa do governador ainda não comentou o teor da decisão do STF, nem se pretende pedir a revisão da liminar de Marco Aurélio.
Na noite desta sexta-feira, o ex-deputado distrital Geraldo Naves (DEM) também se entregou à Polícia Federal. Naves foi o último a se apresentar. Ele deve permanecer preso na Superintendência da PF até ser transferido amanhã para o presídio da Papuda, em Brasília. Lá, estão presos o ex-secretário de Comunicação Weligton Moraes, o sobrinho do governador afastado, Rodrigo Arantes, e o diretor da CEB (Companhia Energética de Brasília), Haroaldo Brasil de Carvalho, além de Antonio Bento da Silva, conselheiro do Metrô que foi preso em flagrante durante a tentativa de suborno do jornalista.