Aos 69 anos, a assistente social Maria Cecília Coelho Lithg não se conforma de ter torcido o pé bem na época dos festejos carnavalescos no Recife. Assídua frequentadora da folia, Cecília sai em pelo menos dez blocos e faz uma fantasia diferente para cada dia. “Tem dia que eu vou em um, chego em casa, tomo banho, troco de roupa e já saio para outro”, diz ela.

Ela tem fantasias guardadas há cerca de 20 anos e ocupa três guarda-roupas da casa com seus adereços. “Não jogo nada fora, guardo tudo porque adoro cada uma delas”, conta ela, que diz não emprestar os adereços e que só cederá para a neta, hoje com 11 anos, quando ficar mais velha. Além das fantasias, ela também possui um álbum de fotografia de cada carnaval.

O problema no pé aconteceu há dois meses do carnaval e fez com que ela cencelasse os planos de fantasias que iria fazer para este ano, pois pensou que não conseguiria curtir a festa. Cecília já havia comprado alguns artefatos para sair como a personagem Norminha, da novela “Caminho das Índias”, mas não chegou a fazer a roupa completa. A decepção, no entanto, se tornou esperança nesta sexta-feira (12).

“Já tinha até pensado em viajar, mas hoje vi uma reportagem de carnaval na televisão, me levantei, sambei um pouquinho e não senti nada. Acho que pelo menos para o Galo da Madrugada [bloco que se apresenta no sábado] eu vou”, disse, confiante e já planejando a fantasia que vai usar: peruca vermelha, meia arrastão, calça listrada e blusa colorida. “Já tomei até uma injeção no pé para ficar boa e poder dançar”, confessou.

A assistente social diz gostar de carnaval desde criança e só ficou sem frenquentar a festa na época que os filhos eram pequenos. Há 25 anos, retomou o costume e brinca todos os anos. “Para mim, carnaval é quase uma religião. Eu fico em estado de graça”, diz ela, que costuma sair com os amigos, pois o marido não gosta de folia.

Em 2002 e 2008, brincou carnaval na sexta, sábado e domingo no Recife, viajou para o Rio de Janeiro, desfilou na escola de samba Mangueira durante a madrugada, pegou um avião de volta para o Recife logo cedo e à tarde já estava desfilando num bloco na capital pernambucana. “Não sinto cansaço, não sinto calor, não sinto nada, só alegria”, diz ela.

Outra que também adora brincar carnaval e faz uma fantasia para cada dia é a estudante Lis Silva, de 28 anos. Nesta noite, ela acompanhará a abertura do carnaval no Recife vestida de colombina. No sábado (13), irá para Olinda vestida de cerveja, no domingo (14) usará uma roupa de uma personagem de desenho animado. A segunda-feira (15) será dia de vestir duas fantasias: a de Minnie, durante o dia em Olinda, e uma de colegial, à noite no Recife. Na terça-feira (16), ela irá com a camisa do bloco que costuma acompanhar e uma saia de chita.

“Carnaval é brincadeira, então é legal sair todo dia com uma fantasia diferente”, diz ela, que guarda as roupas de um ano para o outro para aproveitá-las depois. Como costura, Lis disse que não paga caro pelas fantasias, só o custo do tecido e de algum outro adereço. Este ano, o gasto foi de R$ 20 para cada fantasia.