As autoridades do Irã comunicaram aos jornalistas que trabalham para os meios de comunicação estrangeiros que eles não podem cobrir nesta quinta-feira (11) os desfiles comemorativos do 31º aniversário da Revolução Islâmica, durante os quais a oposição promete protestos.

A imprensa estrangeira está autorizada a cobrir apenas o discurso pronunciado pelo presidente Mahmud Ahmadinejad de manhã na grande praça de Azadi (Liberdade), no sudoeste de Teerã, afirmou nesta quarta-feira uma fonte oficial à AFP.

Entretanto, os jornalistas não poderão seguir os sete desfiles, que passarão pelas avenidas da capital desde a praça de Azadi. É prevista a participação de centenas de milhares de pessoas.

Nos últimos meses, as autoridades proibiram a imprensa estrangeira de cobrir manifestações oficiais em que havia a chance de ocorrerem manifestações da oposição, mas é a primeira vez que fica excluída das comemorações pelo aniversário da revolução islâmica de 1979.

Os principais líderes da oposição chamaram seus seguidores à participarem massivamente nas manifestações, o que fez o governo advertir contra toda tentativa de quebrar "a unidade" do regime na data.

A oposição, que surgiu após a polêmica reeleição de Ahmadinejad em junho passado e que é proibida de se manifestar, tenta aproveitar todas as concentrações oficiais para se fazer ouvir.

As últimas manifestações da oposição, organizadas no dia 27 de dezembro nas grandes cidades do Irã em comemoração à luta religiosa de Ashura, foram reprimidas pelas forças de segurança, e deixaram um saldo de oito mortos, centenas de feridos e mais de mil presos.

O governo acusa países estrangeiros de fomentarem os protestos, em uma tentativa de desestabilizar o regime.