Após o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) admitir que errou em sua avaliação de que as geleiras do Himalaia desapareceriam até 2035 por causa do aquecimento global, uma nova polêmica sobre o órgão da ONU, desta vez relacionada a um dado sobre a floresta amazônica, está instalada.
Em seu quarto relatório, lançado em 2007, o IPCC afirma que “até 40% das florestas amazônicas podem reagir drasticamente até mesmo a uma leve redução na precipitação, o que significa que a vegetação tropical, a hidrologia e o clima na América do Sul poderiam mudar muito rapidamente a outro estado permanente, não necessariamente produzindo mudanças graduais entre a situação presente e futura”.
“É mais provável que as florestas serão substituídas por ecossistemas que tenham maior resistência a estresses múltiplos, causados pelo aumento de temperatura, secas e queimadas, como as savanas tropicais”, prossegue o texto.
O trecho virou motivo de ataques contra o IPCC porque a referência bibliográfica usada para justificá-lo é um relatório da organização de defesa do meio ambiente WWF, e não um artigo científico nos moldes tradicionais. Os autores do relatório do WWF são um analista da própria ONG, Peter Moore, e o jornalista Andrew Rowell, que já teria trabalhado para outras organizações ambientalistas.