A China suspendeu seus intercâmbios militares e seu diálogo de segurança com Washington neste sábado e anunciou que vai sancionar as empresas que venderam armas a Taiwan, segundo um porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês.

Essa decisão acontece depois que a China protestou contra a decisão dos Estados Unidos de vender armas a Taiwan no valor de 6,4 bilhões de dólares, alertando que isso pode causar sérios danos em suas relações com Washington.

O vice-ministro das Relações Exteriores chinês He Yafai ligou para o embaixador americano em Pequim, Jon Huntsman, nas primeiras horas deste sábado, informou o porta-voz Wang Baodong falando à AFP.

"A nova iniciativa americana de vender armas para Taiwan, que faz parte da China, significa uma chocante intervenção nos assuntos internos chineses, coloca em perigo a segurança nacional da China e prejudica seus esforços de reunificação pacífica", indicou a China em seu protesto, segundo o porta-voz.

Os Estados Unidos reconheceram a China comunista em 1979 e, com esta ação, deixou de reconhecer Taiwan. Mas uma lei votada pelo Congresso americano no mesmo ano autorizou que Washington vendesse armas de defesa a Taiwan.

"O plano americano definitivamente enfraquecerá as relações China-Estados Unidos e terá um impacto negativo sério sobre o comércio e a cooperação em áreas importantes entre os dois países", acrescentou Baodong.

O Pentágono anunciou na véspera que os Estados Unidos venderão a Taiwan mísseis Patriot, além de navios detectores de minas submarinas e helicópteros Black Hawk.

A remessa inclui equipamento de comunicações para os F-16 de Taiwan, mas não novos aviões de caça, como queria Taiwan, segundo o Pentágono.

A China já havia advertido os Estados Unidos sobre a venda de mais armamentos à ilha.

A última vez que Pequim e Washington interromperam suas relações militares foi em outubro de 2008, quando os Estados Unidos, sob governo de George W. Bush, entregou armas à ilha.

Os comunistas chinese, que expulsaram o governo nacionalista de Kuomintang para Taiwan em 1949, consideram a ilha rebelde como parte integrante da China e ameaçaram intervir militarmente se esta declarasse sua independência.