No Brasil atual muitas são as evidências de modernização nas políticas sociais que foram implementadas nos últimos anos, o que revela que perdemos o medo de abordar o tema da gestão.

Na área da proteção social, houve avanços importantes na criação de um arcabouço institucional e são exemplos disso a Lei Orgânica da Assistência Social, a Norma Operacional Básica (NOBs), o Sistema Unificado da Assistência Social, a existência de conselhos; fundos; planos de política, definição de órgão gestor da política de assistência em cada município.

Porém, o que acabo de mencionar se refere também aos temas pendentes. Existem exemplos inequívocos da adoção de inovações gerencias no setor, entre eles o Cadastro Único, o número de inscrição único, a implantação de sistemas informatizados nacionais de gestão de benefícios sociais (programas do governo federal). Estes são passos importantes que demonstram a presença do tema na agenda política e técnica. Contudo, há muito a fazer para avançar em capacidade de gestão.

Para consolidar as mudanças e avançar nos objetivos da política de assistência, é necessário fortalecer os processos de coordenação, melhorar a qualidade da prestação dos serviços, criar sistemas de informação e monitoramento, capacitar continuamente o pessoal da área e valorizar os trabalhadores, aprimorar o controle social.

O processo de implementação de políticas sociais com freqüência se depara com incertezas, devido a fatores como natureza complexa dos problemas sociais, complexa cadeia de hipóteses e tecnologia branda de intervenção, multiplicidade de organizações envolvidas, baixa “programabilidade” de certos tipos de ações e elevada interação com os usuários. Além disto, pode enfrentar turbulências associadas a mudanças de governos, cortes de recursos, deterioração de situações econômicas, sociais e políticas.

Para fazer frente a este quadro, é necessário criar e fortalecer capacidades institucionais de gestão. Para formar e criar condição de avançar com políticas públicas e gestão focada no resultado, podemos utilizar três eixos que são fundamentais em todo modelo de gestão baseada em ações concretas: gestão política, gestão programática e gestão operacional.

Podemos afirmar que no Brasil houve avanço nas políticas sociais. Entretanto, temos o desafio de fortalecer a gestão para contribuir na redução da desigualdade e no aumento da proteção social. Caso esteja desconectada desta missão, a gestão pode ser uma roda solta: gira bem sobre si mesma, porém não move nenhum resultado concreto.