As represas do Sistema Alto Tietê já são foco de atenção diária da Defesa Civil do estado. Além do Sistema Cantareira, as autoridades têm mantido sob observação os cinco reservatórios do Alto Tietê que aumentaram rapidamente o volume de água armazenada. Em 1º de janeiro, 55,5% da capacidade dessas represas estava sendo utilizada. Nesta quinta-feira (14), o percentual é de 78,8%, segundo dados da Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp).

De acordo com o coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Luiz Massao Kita, os sistemas Cantareira e Alto Tietê têm sido sistematicamente monitorados. “Há um foco de tensão sobre esses dois sistemas. Todos os dias a Sabesp nos repassa pela manhã boletins de monitoramento e essas informações são retransmitidas aos municípios banhados pelos rios que compõem essas represas. Este acompanhamento evitará que tenhamos tragédias, ainda que tenhamos que abrir as comportas”, garante Kita.

O Sistema Alto Tietê é formado pelas represas Taiaçupeba, Jundiaí, Biritiba, Paraitinga e Ponte Nova.

O superintendente de produção de água da Sabesp, Hélio Luiz Castro, lembra que as margens dos rios do Sistema Alto Tietê são, em sua maioria, ocupadas por atividades rurais. Com isso, caso haja o transbordamento das represas, o impacto seria principalmente sobre plantações agrícolas. “Não haveria a inundação de casas, como ocorreu em alguns municípios do Sistema Cantareira”, diz Castro.

Ele lembra que em outros sistemas de represas, como o de Alto Cotia, Rio Grande e Rio Claro, o volume de água nos reservatórios é acima de 100%. Ou seja, com o nível do vertedouro atingido, a água está sendo vazada nos rios, sem provocar inundações. “Isso porque não há ocupação humana nas áreas de várzea, permitindo que os rios ocupem níveis acima de suas calhas”, diz.

Nesta quinta-feira (14), o governador José Serra (PSDB) ressaltou a função das represas, que é justamente a de evitar a ocorrência frequente de enchentes. Serra negou que o estado irá intervir na remoção de famílias de áreas de várzeas alagas, como em Atibaia, a 64 quilômetros da capital.

“O nível das represas vem sendo comunicado aos municípios desde agosto. Não há motivo para pânico. Eu não determinei a remoção de famílias. Isso tem que ser determinado por cada município”, afirmou o governador.