Estudantes de toda a Venezuela realizam nesta terça-feira assembleias nas principais universidades do país para definir as próximas ações na campanha de protesto contra a decisão do governo Hugo Chávez de fechar a rede de TV RCTV, crítica do governo, por não se submeter a uma lei que obriga as TVs a difundir as mensagens presidenciais.

As manifestações desta segunda-feira acabaram com a morte de um jovem de 15 anos, membro do movimento estudantil bolivariano, que foi baleado no Estado de Mérida, informou o ministro do Interior, Tareck El Aissami.

Nazik Alfakih, membro do Conselho Geral de Representantes Estudantis da Faculdade de Direito da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), afirmou ao jornal venezuelano "El Universal" que o resultado das assembleias realizadas na capital Caracas e no interior serão anunciados nesta terça-feira, às 10h (12h30 no horário de Brasília), na concentração estudantil convocada na Praça Vermelha.

"Temos que continuar os protestos contra o fechamento da RCTV e contra a insegurança que reina em toda a Venezuela", disse Alfakih ao jornal.

O estudante disse ainda que o movimento estudantil lamenta e repudia a morte do jovem em Mérida. "Companheiros são venezuelanos, seja de qual partido forem", disse.

Em declarações à rede estatal Venezolana de Televisión (VTV), o ministro do Interior, Tareck El Aissami, indicou que o estudante protestava junto a outros jovens quando "foram emboscados por desconhecidos". Ele não revelou o nome do estudante.

O ministro afirmou que outra pessoa ficou ferida, mas está fora de perigo, e que foi aberta uma investigação para encontrar os responsáveis pelo assassinato.

Aissami informou ainda que nove policiais ficaram feridos em Mérida, dois deles por disparos de armas de fogo, e estão em um centro de saúde da cidade "em condições estáveis".

Renúncia

Chávez enfrenta ainda a renúncia do vice-presidente da Venezuela, Ramón Carrizález, que também era ministro da Defesa. Sua saída foi justificada por "motivos pessoais", segundo informações da imprensa local.

O cargo de vice-presidente não é eletivo, mas preenchido por indicação do presidente. A mulher de Carrizález, a ministra do Meio Ambiente, Yuribí Ortega, também renunciou.

Chávez "aceitou a renúncia por razões estritamente pessoais" apresentada por Carrizález, informou a ministra da Informação venezuelana, Blanca Eekhout, em uma breve declaração transmitida pela emissora estatal de televisão VTV.

O presidente da Venezuela tornou público seu "agradecimento" e "reconhecimento" ao "esforço e compromisso" de Carrizález "durante toda sua gestão" à frente da Vice-Presidência e do Ministério da Defesa, acrescentou Eekhout.

A ministra de Informação não disse quando Carrizález renunciou nem quem o substituirá nos cargos deixados, e também não falou sobre a renúncia de Ortega.