Em um futuro próximo, o Brasil tem pelo menos três grandes desafios: sediar a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, e os Jogos Mundiais Militares, no ano que vem. Apontados como um dos principais gargalos para esses eventos, os aeroportos terão, neste ano, cerca de R$ 525,4 milhões do Orçamento Geral da União (OGU) para construções, reformas e ampliações. Os aeroportos terão ainda R$ 1,5 bilhão que deve ser investido pela estatal Infraero em obras e serviços de engenharia e na aquisição de equipamentos e mobiliários para os terminais. Ao todo, pouco mais de R$ 2 bilhões devem ser investidos em 2010.

O primeiro valor integra a peça orçamentária de 2010, que deve ser sancionada pelo presidente Lula nos próximos dias, e representa um aumento de 26% em relação aos R$ 414,2 milhões previstos no orçamento de 2009, dos quais apenas R$ 270 milhões foram efetivamente desembolsados. Da quantia global computada no OGU deste ano, 73% (R$ 384,4 milhões) referem-se a reformas e ampliações de aeroportos e aeródromos de interesse nacional e estadual. Os demais recursos são distribuídos entre as cinco regiões do país e alguns aeroportos específicos (veja a tabela).

Já o R$ 1,5 bilhão da estatal diz respeito aos investimentos previstos no Programa de Dispêndio Global da Infraero para 2010. Apesar de vultoso, o valor pode acabar ficando apenas no papel. Isso porque, em média, a execução dos investimentos da empresa permaneceu pela metade nos últimos seis anos. Entre 2004 e 2009, a Infraero investiu R$ 2,1 bilhão de uma dotação de R$ 5,6 bilhões para investimentos – 38% de execução (veja a tabela).

Em 2009 a Infraero investiu R$ 421,3 milhões de um total de R$ 981,6 milhões previstos para o ano, o que corresponde a 43% de realização. Neste percentual estão incluídos R$ 215,3 milhões aplicados exclusivamente em serviços de engenharia, como a instalação de módulo operacional no aeroporto de Florianópolis (SC), as novas torres de controle dos aeroportos de Fortaleza (CE) e Congonhas (SP) e outras ações.

De acordo com o estudo “Vitrine ou Vidraça - Desafios do Brasil para a Copa de 2014”, produzido pelo Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), embora cada cidade tenha seus próprios desafios a superar, praticamente todas elas apresentam um problema em comum: “a insuficiência da capacidade dos aeroportos para receber o pico de demanda que deverá ocorrer na Copa do Mundo”.

No fim do ano passado, o ministro do Esporte, Orlando Silva, disse, em entrevista coletiva, que pode haver um colapso nos aeroportos em 2014 caso o cronograma de obras e reformas da Infraero sofra algum atraso. “A Infraero terá de cumprir religiosamente o cronograma de obras, sob pena de gerar um colapso”, ressaltou o ministro.

Um mês antes, foi a vez do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, manifestar preocupação. “Temos três problemas graves: aeroporto, aeroporto e aeroporto”, afirmou o dirigente após uma reunião com responsáveis pela preparação das cidades-sede. Teixeira advertia sobre a principal preocupação do comitê organizador do Mundial de 2014 – o desenvolvimento da infraestrutura aeroportuária.

Mas apesar das inquietações, técnicos da Infraero garantiram, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que as obras de reforma e ampliação dos aeroportos para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016 cumprirão todos os prazos estabelecidos pelos cadernos de encargos da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional.

Segundo a assessoria da Infraero, a empresa faz investimentos com horizontes de curto, médio e longo prazo em 67 aeroportos do país, “o que envolve diversas melhorias, como as 44 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”. Entretanto, explica a assessoria, os esforços da empresa estão canalizados nas obras e reformas dos 16 aeroportos da Copa, que totalizam R$ 4,6 bilhões até 2014. Uma das metas é fazer com que a capacidade dessas unidades passe de 114,6 milhões para 166,8 milhões de passageiros por ano e o pico das ações está programado para ocorrer entre 2011 e 2012. Clique aqui para ver os investimentos necessários nos aeroportos até a Copa.