As equipes de resgate que trabalham na capital do Haiti, Porto Príncipe, e em localidades vizinhas já concluíram as buscas por sobreviventes em 60% das áreas afetadas pelo terremoto de terça-feira. Até agora, 70 pessoas foram tiradas com vida de entre os escombros dos prédios derrubados pelo tremor.
– É um número recorde de pessoas achadas vivas após um terremoto – disse Elizabeth Byrs, porta-voz do Escritório da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
Como há muitos bolsões de ar sob os edifícios, os especialistas que trabalham no terreno ainda não perderam a esperança de encontrar mais sobreviventes, afirmou Elizabeth. Ela destacou que até seis dias depois de um terremoto ainda é possível encontrar sobreviventes em meio a escombros.
Cerca de 45 equipes procedentes de todo o mundo, com 1.739 homens e 161 cães farejadores, trabalham nas buscas por sobreviventes no Haiti.
– Todos trabalham sem parar, dia e noite. Mas, apesar da duras condições, o moral deles está muito alto, devido à grande quantidade de pessoas que conseguiram salvar – disse a porta-voz.
Os socorristas já contam com material capaz de penetrar o cimento armado, e têm aparelhos acústicos e de fibra ótica para localizar pessoas com vida. Elizabeth também destacou que, no momento, o maior problema é a falta de pessoal médico. A preocupação é compartilhada por várias organizações, como a Médicos sem Fronteiras, cujo pessoal no Haiti não dá conta de atender às milhares de pessoas que se amontoam em frente aos hospitais e instalações médicas improvisadas. Faltam ambulâncias para transportar as pessoas depois que de retiradas dos escombros.
Na cidade de Petit Goave, com 117 mil habitantes, 20% das construções foram destruídas pelo terremoto, de acordo com as primeiras avaliações. Lá, como em Porto Príncipe, "falta pessoal médico", destacou Elizabeth. Outras localidades haitianas atingidas pelo tremor são: Jacmel, Carrefour, Leogane e Gressier.
Cenário é de guerra no país caribenho
Milhares de feridos e desabrigados seguem vagando sem destino no Haiti, após o tremor de 7 graus na escala Richter que, na terça-feira, matou dezenas de milhares de pessoas e atingiu pelo menos 3,5 milhões de haitianos. A morte de dois militares gaúchos que, em meio à miséria do Haiti, serviam às forças de paz da ONU, foi confirmada pelo Exército. Outros 14 brasileiros também morreram no terremoto — entre eles a missionária brasileira Zilda Arns, 75 anos.