O governo brasileiro mudou o tom do discurso e recuou nas críticas ao valor das doações de países, especialmente europeus, para ajudar na reconstrução do Haiti --atingido por um forte terremoto na última terça-feira.
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou nesta sexta-feira que o momento é de "solidariedade" e que muitos países prometem reforçar a ajuda financeira ao longo do processo de reconstrução do país.
Amorim afirmou ainda que a ideia lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a convocação de uma reunião dos países doadores foi bem recebida pela comunidade internacional. O encontro deve ocorrer na sede da ONU (Organização das Nações Unidas).
O ministro evitou comentar se as doações de países desenvolvidos estão tímidas. Até agora, Brasil ofereceu US$ 15 milhões, Estados Unidos US$ 100 milhões, Austrália US$ 10 milhões, e Canadá US$ 5 milhões. Outros países, em especial europeus, doaram entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões. Nos bastidores, integrantes do ministério afirmavam que as doações de alguns países estavam um pouco "acanhadas" diante da necessidade dos haitianos.
"Eu não vou comentar. É momento de solidariedade. Eu acho que os EUA, o número prometido é bastante substancial, de US$ 100 milhões. O Brasil está proporcional, até um pouco mais, um número adequado levando em conta o nosso interesse. Alguns países podem complementar, alguns dizem que a cooperação é inicial", disse.
Amorim lembrou que a doação brasileira recebeu destaque internacional. "O sentido geral de solidariedade é muito grande. Eu acho que a percepção do que nós temos feito é muito grande não só no Brasil, mas no mundo. BBC deu destaque à oferta brasileira, aos aviões brasileiros, o que é normal e é importante que ocorra", afirmou.
O ministro disse que ficou surpreso com o empenho do governo australiano. "Falei hoje com autoridades australianas e o país está dando colaboração de US$ 10 milhões, o que é importante, país que está longe da situação", disse.
Segundo o chanceler, a reunião do grupo de doadores pode ocorrer nos próximos dias. A avaliação do governo brasileiro é de que o encontro é importante para evitar o confronto de ações.
"O importante é coordenar para evitar problemas no terreno, evidentemente, porque às vezes muita gente querendo ajudar esbarra um no outro e não dá certo. [...] Eu não excluo que se possa convocar [uma reunião] nos próximos dias, se chegar à conclusão que a necessidade de recursos até mesmo para emergência é muito grande. Isso estamos conversando permanentemente com todos os interlocutores", disse Amorim.
O ministro defendeu que o controle das ações seja da ONU. "É preciso que alguém coordene. E acho que quem tem que coordenar do ponto de vista das definições das necessidades são a própria Nações Unidas. Só as Nações Unidas têm as informações que chegam de todos os lados", disse.