Os militares brasileiros no Haiti pensaram ser vítimas de um atentado quando o pior terremoto em 200 anos atingiu a capital Porto Príncipe, onde o Brasil lidera uma missão de estabilização da Organização das Nações Unidas com 7.000 homens, sendo 1.266 brasileiros.
O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) trazendo 16 militares feridos no terremoto que atingiu o Haiti na última terça-feira (12) chegou à base aérea do aeroporto de Guarulhos nesta sexta-feira (15). O cabo Carlos Michael Pimentel de Almeida, do 5º Batalhão de Infantaria Leve de Lorena e um dos feridos no terremoto, disse em entrevista coletiva pouco após a chegada:
- Pensei que fosse um atentado. Até agora não consegui entender o que aconteceu, por que eu fiquei vivo e meus amigos não.
O cabo Almeida recorda que o tremor durou cerca de três segundos, mas que foi o suficiente para derrubar o prédio onde ele estava com outros militares brasileiros.
O militar contou também que, pouco após o tremor, alguns populares invadiram o quartel onde ele estava para roubar fuzis. Ele disse que logo em seguida alguns militares foram atrás de ajuda para pedir reforço na segurança.
General vê milagre e diz que baixas poderiam ter sido maiores
Inicialmente, as Forças Armadas haviam divulgado que 18 membros do Exército seriam trazidos de volta, mas dois deles, que disseram estar em boas condições de saúde, decidiram ficar para ajudar nos trabalhos de resgate.
O avião da FAB, um Boeing Kc-137, saiu de Porto Príncipe, capital do Haiti, às 6h desta sexta-feira, no horário de Brasília, e pousou em Guarulhos às 12h36. O desembarque começou a ser feito às 13h20.
O general de divisão Eduardo Wizniewsky, do Comando Militar do Sudeste, lamentou as mortes dos brasileiros no país, mas afirmou que as baixas poderiam ter sido ainda maiores.
- Na nossa tropa termos tão poucas baixas foi praticamente um milagre.
Dois dois militares feridos, o tenente-coronel Alexandre José dos Santos e o cabo Daniel Coelho da Silva, foram colocados em ambulâncias e levados diretamente ao hospital militar do Cambuci, no centro de São Paulo. Os outros militares, com ferimentos menos graves, puderam encontrar seus familiares, mas também serão encaminhados de micro-ônibus ao mesmo hospital.
Uma equipe médica das Forças Armadas chegou a avaliar os militares dentro da própria aeronave, antes do desembarque, e várias ambulâncias aguardavam perto da pista de pouso.
Até agora, o governo confirmou as mortes de 14 militares brasileiros no Haiti, mas o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que esse número pode chegar a 17.