O coordenador de projetos da ONG Viva Rio, André D’Ávila, mora há três anos no Haiti e estava na capital, Porto Príncipe, no momento do terremoto que causou devastação no país nesta terça-feira (12).

 

Segundo ele, a infra-estrutura precária é a maior dificuldade que ele e os sobreviventes entre a população local enfrentam agora.

 

“A gente está sem luz nesse momento, ainda tem água porque a nossa cisterna tinha água. Eu acredito que em muitos lugares já não deve ter mais água, e luz com certeza já não chegou nem hoje, nem ontem, nem anteontem. O problema maior aqui nesse momento é a falta de infra-estrutura para lidar com uma situação como essa. Em qualquer lugar já é complicado, aqui no Haiti aqui é mais ainda”, disse André.

 

"Parece que a prisão também ruiu e muitos presos morreram e muitos estão fugindo. É um caos que começa a se instalar e a gente ainda não sabe o que vai acontecer", diz.

De acordo com André, há cerca de 5 mil pessoas refugiadas na casa que a ONG mantém em Porto Príncipe. “O Viva Rio está instalado dentro(do bairro) de Bel Air. A nossa estrutura nesse momento está tomada por milhares de pessoas. Então a gente vai nesse momento chegar lá e começar a ver como é que a gente vai usar essa estrutura para minimizar a situação”, disse o coordenador, que afirmou que poderá disponibilizar caminhões e pessoal da ONG para ajudar nos trabalhos. “Mas tudo isso tem que ser feito com a coordenação da Organização das Nações Unidas”.

 

O tremor

André relata que havia chegado de uma viagem quando o tremor começou. “No momento do terremoto que eu tinha acabado de chegar, eu estava no segundo andar da casa, tirando as coisas da mala. Eu fui jogado de um lado pro outro, as pessoas que estavam na parte de baixo da casa correram para fora. Por dez segundos eu não consegui me mexer, eu estava como se estivesse num barco à deriva”, conta.

“Aí sim eu consegui descer, saí correndo para a rua, daí na rua, vi pessoas correndo e imediatamente vi um posto de gasolina na parte de baixo da rua explodir”, diz.

 

" Ficou uma poeira na cidade inteira, aquele clima frágil e nas próximas duas horas tiveram mais 18 mini tremores e agente ficou na expectativa do que ia acontecer. Mais à noite a gente foi recebendo informações (sobre mortes) (...). eu não dormi até agora", afirma.