O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) disse nesta quarta-feira que o governo brasileiro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberam com pesar a notícia da morte da fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, em consequência do terremoto que ontem atingiu o Haiti.

Amorim disse que Lula está "absolutamente chocado" com a tragédia no país, em especial com a morte de Arns. "O presidente lamentou muitíssimo, ela é uma pessoa de grande projeção no país, que está lá fazendo obra de assistência humana de grade importância. É uma grande tragédia, é absolutamente lamentável", disse o ministro.

Lula determinou que o governo tome as providências necessárias para ajudar o país, assim como no resgate de brasileiros e haitianos mortos e feridos na tragédia. O Brasil tem 1.266 militares na Força de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas), a Minustah, no Haiti, dos quais 250 são da engenharia do Exército.

O senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho de Zilda Arns, vai para o Haiti junto com o ministro Nelson Jobim (Defesa) e o embaixador do Brasil no país, Igor Kipman, para acompanhar a situação no país. "A senhora Zilda Arns faleceu junto com um tenente do Exército. Faleceram também alguns militares, quatro já confirmados até agora, mas podem haver mais mortes", disse Jobim.

Segundo a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), Arns morreu enquanto andava na rua, acompanhada de um militar brasileiro. A mulher do embaixador brasileiro, Rosana Kipman, foi em busca de Zilda Arns até o local onde a socióloga morreu, ao lado de militares brasileiros.

Missão brasileira

A aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) vai decolar hoje, perto do meio-dia, em direção a Boa Vista (RR). De lá, Jobim e os demais integrantes da comitiva brasileira vão esperar autorização para seguirem ao Haiti --já que ainda não há informações precisas sobre as condições para pouso da aeronave depois do terremoto.

Amorim disse que há grande preocupação do governo federal com os brasileiros que está no Haiti, uma vez que a situação de comunicação com o país da América Central é "precária". O ministro disse que somente na madrugada de hoje o Ministério das Relações Exteriores conseguiu contato com o país para obter informações sobre a situação no Haiti.

"O contato é precário, as pessoas estão isoladas umas das outras. O presidente Lula determinou que fossem feitos esforços e a liberação de recursos previstos no Orçamento do Itamaraty", afirmou.

Amorim confirmou que o Brasil vai doar entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões para o governo haitiano para que o país possa se reconstruir da tragédia. Um técnico do Ministério da Saúde e outro da Defesa Civil vão ao Haiti no avião da FAB para ajudar no resgate de brasileiros e haitianos.

Informações

O Ministério das Relações Exteriores montou um gabinete de crise para monitorar a tragédia no Haiti. Segundo Amorim, o governo busca informações sobre os brasileiros que estavam no país, mas encontra dificuldades diante da limitação na comunicação com o país.

O Itamaraty vai reforçar os trabalhos na Embaixada da República Dominicana, para onde espera levar brasileiros feridos no terremoto do Haiti. "Vamos reforçar embaixada na República Dominicana. Certamente haverá feridos. É através da República Dominicana que poderão ser atendidos", disse Amorim.