Nada mais normal do que finalizar uma refeição com uma tigela de sorvete, certo? E por que não começar um almoço ou um jantar com uma entrada fria ou mesmo gelada, com uma raspadinha, um sorbet, uma gelatina, um semifreddo ou um zabaione gélido?

Nesses dias de calor, a ideia que inicialmente pode parecer estranha é uma verdadeira bênção, uma alternativa que traz alívio, revigora e dá ânimo, como a sensação gerada por uma cervejinha a 0ºC numa tarde de sol causticante na praia.

Enquanto refrescam, as entradas elaboradas e servidas com ingredientes em baixíssimas temperaturas ainda servem para abrir o apetite e proporcionam agradáveis sensações e instigantes contrastes.

O melhor é que não é nada difícil encontrar gostosas opções assim em São Paulo. A Revista selecionou dez receitas geladinhas que são servidas em algumas das melhores mesas da cidade.

Festa da beterraba
Este tubérculo se presta a gostosas receitas refrescantes. No bistrô Le Marais, os chefs Paulo Barroso de Barros e Wagner Resende o utilizam para preparar um gazpacho (R$ 18) que, além de uma linda cor, tem um sabor delicioso. No AK Delicatessen, Andrea Kauffmann oferece como entrada um borscht (sopa típica do Leste Europeu) que é servido geladinho num copo de vodca, para ser engolido como um shot. Custa R$ 13 e vem acompanhado de "minilatkes" (quitutes judaicos à base de batata).
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Frescura em todos os sentidos
No cardápio do La Tambouille, a clássica "vichyssoise" (R$ 22) é uma das entradas mais pedidas no verão. "Quando eu era criança, odiava alho-poró. Um dia minha mãe fez uma \'vichyssoise\' e não falou do que era feita. Provei e adorei. Desde então me apaixonei pela sopa", explica o restaurateur Giancarlo Bolla. Além do alho-poró e da batata, leva também leite ou creme e é servida sobre uma base de gelo.
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Salada desconstruída
No Maní, a gaúcha Helena Rizzo e o espanhol Daniel Redondo preparam uma releitura da tradicional salada waldorf. A porção custa R$ 30 e é composta de uma gelatina de maçã verde, uma bola de sorbet de aipo, nozes caramelizadas e emulsão de gorgonzola. Se a receita original já era refrescante, esta versão repaginada é ainda mais fresquinha e leve, com uma autêntica festa de sensações.
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Finas texturas
Para fazer a vellutata fria de tomates (R$ 32) do restaurante do hotel Emiliano, o chef José Barattino passa tomates crus por uma centrífuga especial e mistura à polpa um pouco de cebola e azeite extravirgem de azeitonas arbequinas, bem leve e frutado. Finaliza com uma colherada de semifreddo de queijo de cabra e farofa de azeitona. "Isso enriquece os sabores e as texturas", diz ele.
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Raspadinha apimentada
O chef Eric Marty veio de Andorra especialmente para trabalhar na cozinha do Cantaloup. Para este verão, Marty criou um gazpacho coberto de granité de tabasco com vodca e espuma de shissô. A entrada custa R$ 23 e mistura de uma maneira delicada o frescor dos tomates e pimentões liquefeitos com a picância dessa espécie de raspadinha de pimenta mexicana e o aroma das folhas de shissô.
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Doce refrescância
No Diversità, o chef Alencar Ribeiro incluiu no seu menu especial de sábado uma deliciosa sopa fria de cenoura com gengibre e tangerina (R$ 13). "O calor pede pratos leves, e aí as sopas frias tornam-se uma ótima alternativa", afirma. Além dessa opção, Ribeiro também oferece uma sopa feita com agrião, melaço de cana e salmão defumado e outra à base de tomate com sour cream e tapenade de azeitonas.

Diversità - av. Água Fria, 1.361, Santana, região norte, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/2737-4009. Classificação etária: livre.

Queijo fresco
No Dressing, a pedida para os dias de sol escaldante é a salada de lulas com tomate marinado e rúcula ao zabaione gelado de brie. "O prato com zabaione gelado de brie refresca, alimenta e instiga o paladar", explica o chef pernambucano Edinaldo Santana.Custa R$ 54, e a meia porção sai por R$ 38.
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Macarrão gelado
O "nihon soba salad" (R$ 45) é um macarrão de arroz servido gelado no Kinoshita. Vem acompanhado de uma saladinha com miogá (espécie de gengibre), kaiware (broto de nabo), folhas aromáticas de shissô e tempurá de legumes. "É um prato tradicional japonês que o brasileiro precisa conhecer por suas refrescância e leveza. Deixa o corpo e a mente leves. A respiração fica fluida", propagandeia o premiado Tsuyoshi Murakami.
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Experimento catalão
No restaurante espanhol Eñe, a dica refrescante é a "agua de tomates en gelatina a la mariñera" (R$ 26). Nessa espécie de geleia clara de tomates, o gosto dos frutos do mar é o que sobressai, mas os tomates a deixam mais refrescante e as flores comestíveis servem não só para decorar, mas para realçar o frescor e vivacidade do prato.
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Lula com melancia
Marisa Campos, chef e dona do restaurante Nicota, inspirou-se numa receita do consagrado Yves Camdeborde, do parisiense Le Comptoir, para criar sua "pastèque glacée" (R$ 27). Trata-se de uma sopa fria de lulas e camarões temperada com manjericão fresco, pimenta Szechuan, gengibre e folhas de shissô. Para mantê-la ainda mais refrescante, é servida com pedras de gelo feito com suco de melancia. "A descrição pode soar esquisita, mas, nesses dias quentes, a sopa é um dos maiores sucessos aqui", conta Marisa.