O empresário Flávio Larini, um dos sobreviventes do deslizamento na Enseada do Bananal de Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ), dormia no momento em que a casa em que estava foi soterrada, na madrugada de 1º de janeiro. Flávio é filho do prefeito de Arujá, Abel Larini, e passava o réveillon em Angra com um grupo de 17 amigos. Oito corpos de integrantes desse grupo tinham sido encontrados até a manhã desta segunda-feira (4) na região fluminense castigada pelos temporais do início do ano.
“Quando acordei dentro do mar, só procurei me abrigar e gritar por socorro, pedir ajuda. Parecia que eu estava tomando um caldo de uma onda forte”, afirmou, por telefone, Larini. “Quando eu coloquei a cabeça para fora da lama, da água, levantei e procurei subir em umas pedras”, contou.
Luiz Henrique Alegrí e o casal Gerson e Eny Valério também conseguiram escapar com vida. A filha deles, que não estava na Ilha Grande, ficou aliviada ao reencontrar os pais. “Choramos, pensamos que eles tinham morrido, passou tudo por nossa cabeça, né? Só quero estar do lado deles agora, nada mais”, afirmou a filha de Gerson, Kamila Ferreira Valério.
Há 17 anos, o grupo passava o réveillon junto, em lugares diferentes. Três dos quatro sobreviventes já foram liberados do hospital.
Enterros
Na madrugada desta segunda-feira (4), amigos e parentes foram velar mais quatro vítimas do desmoronamento: Adalton Souza e a filha, Rafaela, de 9 anos, e Keller Neves, também com o filho Gustavo, de 10. “No dia 31, por volta das 23h30, ele ligou para desejar feliz ano novo. Ele comentou que estava chovendo muito. Foi o último contato”, conta o pai de Keller, Albino Neves.
O trauma para a cidade de 80 mil moradores é imenso. A tragédia interrompeu namoros, noivados e destruiu famílias. O casal Ricardo da Silva e Natália Pacheco foi enterrado na manhã de domingo (3).
Fátima perdeu o neto de 4 anos, o genro e a filha, Cecília Secco Baccin -que estava grávida de seis meses. "Estávamos tão felizes que a nossa família estava aumentando. De repente metade foi embora", completou a mãe de Cecília, Fatima Brandino Secco.