Mais de 90 pessoas morreram no ataque de um homem-bomba a uma quadra de vôlei, no Paquistão, nesta sexta-feira (1º), informaram fontes locais. Conforme a agência de notícias Reuters, a administração local contabiliza 96 corpos, dos quais seis ainda não puderam ser identificados. Mais de 60 pessoas ficaram feridas, sendo dez em estado grave. O atentado foi o terceiro mais mortífero da história do Paquistão.

Desde ontem ocorreram ao menos 20 funerais de vítimas do ataque. Os dados sobre as cerimônias quase não são divulgados, pois o governo teme novos ataques contra essas conglomerações de pessoas. Há oito crianças, seis paramilitares e dois policiais entre os mortos, segundo a polícia.

Neste sábado, autoridades e moradores continuam vasculhando os escombros do ataque de Shah Hasan Khan, uma aldeia do distrito de Bannu, vizinho das zonas tribais onde o Exército paquistanês luta contra o Movimento dos Talebans do Paquistão (TTP),que é aliado da rede terrorista Al Qaeda, desde meados de outubro. Os talebans são considerados os principais responsáveis pela onda de atentados que matou mais de 2.800 pessoas no país em menos de dois anos e meio.

No ataque à quadra de vôlei, o homem-bomba explodiu seu carro, abarrotado com 300 kg de explosivos, segundo a polícia. No local ocorria um torneio de aldeias organizado pelo "comitê da paz" local, uma associação de moradores contrários aos talebans, que estava reunida em uma mesquita vizinha na hora do ataque.

Este comitê apoiou o Exército quando este veio expulsar os talebans de Bannu, ano passado. Poucos meses depois, os dirigentes militares anunciaram que o distrito estava livre dos rebeldes.

Ramzan Bittani, 33, estava assistindo à partida, quando se afastou para atender uma ligação. "Eu vi um enorme clarão azul e branco, seguido por uma explosão ensurdecedora. Quando me dei conta do que estava acontecendo, vi corpos e fumaça por todos os lados, e percebi que minha mão estava fraturada", contou Bittani por telefone à agência France Presse do hospital onde está internado.

Anwer Khan, um estudante de 18 anos, viu a caminhonete preta se aproximando da multidão em alta velocidade. "Uma chama gigante subiu para o céu. Fui atingido na testa por dois estilhaços e comecei a sangrar."

Cerca de 20 casas em volta da quadra de vôlei desabaram, criando um cenário de desolação em uma aldeia totalmente isolada e sem equipamentos médicos. "Cinco pessoas morreram na noite passada no hospital público de Lakki Marwat", a cidade mais próxima, disse Mohammad Ayub Khan, chefe da polícia de Bannu.

Na história do Paquistão, somente dois ataques suicidas foram mais mortíferos: o de 18 de outubro de 2007, em Karachi, cometido por ocasião da volta da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que deixou 139 mortos; e o de 28 de outubro passado, em um mercado lotado de Peshawar, que matou pelo menos 118.

Trata-se do segundo ataque mortífero da semana contra civis, depois do atentado que deixou 43 mortos em uma procissão xiita segunda-feira (28) em Karachi.