Se as superstições dão resultado ou não, não importa. Fato é que muita gente não consegue iniciar o ano sem alguns rituais já considerados tradicionais. Alguns pulam sete ondas no mar, outros preferem comer arroz com lentilha. Há ainda quem goste de ingerir sementes de romã ou de uva.
No entanto, é bom destacar que os costumes não são exclusividade dos cariocas. Mesmo os paulistanos, que costumam passar boa parte do ano longe das praias, não deixam de cumprir as suas crenças.
– Moro na capital paulista e geralmente passo o Réveillon no litoral do estado – conta o jovem Felipe França, 18 – Minha família veio para o Rio este ano, mas não abrirei mão de pular as minhas sete ondas.
O costume parece contagiar, já que Felipe ensaiou os pulos na Praia de Copacabana (Zona Sul) ao lado do primo Arthur Cruz, 15.
O estudante carioca Victor Madawar, 24, será outro a pular as suas ondas pouco depois da virada do ano, mas ressalta que possui uma outra superstição.
– Gosto de fumar um charuto em datas especiais. Não sou fumante, mas me sinto bem fumando em ocasiões como o Réveiilon – confidencia.
Longe da praia, mas próximo do fogão, há quem dedique uma atenção especial à alimentação para evitar problemas em 2010, pelo menos segundo algumas pessoas que não abrem mão de pratos específicos na ceia do Réveillon.
– Já me acostumei a comer arroz com lentilha. Desde que me disseram que trazia sorte, ainda na minha infância, não consegui me desprender desta tradição – afirma Julita Nascimento, 69, moradora da Tijuca (Zona Norte).
O consumo de aves, por exemplo, não é indicado na ceia de Ano Novo pelo advogado José Neto, 36 anos.
– São animais que ciscam ou andam para trás, como estaremos na virada do ano, acho que o costume deles pode ter influência na minha vida. Sei lá, é melhor não pagar pra ver – contou.
Além de todas as superstições já citadas, ainda existem muitas outras. Tem gente que guarda uma folha de louro na carteira durante o ano inteiro e só troca na hora da virada. Outros, jogam moedas da rua para dentro de casa para atrair riqueza. Não importa a classe social, idade ou origem, cada um se vira como pode.
– Acho que o período emana renovação. Por isso, as pessoas ficam tão radiantes e esperançosas de dias melhores – analisa a socióloga Lívia Silbert, 46.
E você? Costuma ter alguma superstição? Vale tudo para entrar mais seguro no ano de 2010.
Branco perde para o amarelo nas peças íntimas
Apesar do momento favorável da economia do país, a maioria das pessoas que optaram por comprar novas peças íntimas no Centro do Rio escolheu a cor amarela, que, dizem, costuma atrair riqueza.
O movimento das vendas do setor, na área comercial conhecida como Saara, cresceu 15% em relação ao mesmo período do ano passado. O preço do conjunto – sutiã e calcinha – variava entre R$ 19,90 e R$ 36,90 em lojas especializadas.
– A venda de peças brancas, amarelas e vermelhas corresponde a 95% do nosso movimento nos últimos dias – destaca a proprietária da loja Local Íntimo, Paula Miranda.
Entre as clientes, os números eram confirmados.
– Resolvi deixar a cor branca um pouco de lado neste Réveillon. Gosto de manter a tradição e sempre uso peças íntimas novas. Para esta virada, a cor escolhida foi o amarelo – conta a administradora Priscila Rodrigues, 26.
Sungas e cuecas da cor amarela também foram bem vendidas.
– A cor da riqueza também fez sucesso entre os homens – constata o vendedor Valdir Araújo, com 57 anos de experiência.