A ministra dos Negócios Estrangeiros no Suriname, Lygia Kraag-Keteldijk, disse nesta segunda-feira ao secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Antonio Patriota, que a situação está sob controle em Albina, cenário de um brutal ataque a brasileiros que deixou ao menos 25 feridos. Os brasileiros que vivem na pequena cidade, contudo, não querem voltar para a cidade com medo de um novo episódio de violência.
Segundo o ministério brasileiro disse à Folha Online, a ministra surinamesa afirmou ao governo brasileiro que as forças do país fazem de tudo para evitar que um novo episódio como o do último dia 25 --quando um grupo de centenas de surinameses atacou a comunidade brasileira, com cerca de 80 pessoas, com facões e machados.
A ministra disse ainda que o país ficou surpreso com o ataque, já que os brasileiros sempre foram bem recebidos no país. Ela reiterou ainda que o Suriname realiza o mais rápido possível as investigações sobre o ocorrido.
A Radio Nederlands, da Holanda, disse que a polícia do Suriname já prendeu 35 pessoas envolvidas nos ataques contra brasileiros. De acordo com a emissora, os detidos são acusados de incêndio criminoso, roubo e estupro de mulheres brasileiras.
Em entrevista à radio, o chefe do setor de Justiça da polícia surinamesa, Krishna Mathoera, disse que alguns dos presos já teriam inclusive sido reconhecidos pelas vítimas dos estupros.
"O tom da conversa foi tranquilizadora", disse a assessoria do Itamaraty. O tom, contudo, parece não ter convencido os brasileiros --que não demonstram nenhum desejo de voltar à pequena cidade para o garimpo.
Segundo o embaixador brasileiro no Suriname, José Luiz Machado e Costa, disse neste domingo à Folha Online, é pouco provável que os brasileiros queiram voltar a Albina depois do ataque violento por temer mais retaliações.
O incidente foi motivado por um crime supostamente cometido por um brasileiro, gerando uma reação dos marrons --como são chamados os descendentes quilombolas no país.
Feridos
Um brasileiro recebeu alta e outros três continuam internados em estado grave em um hospital de Paramaribo, capital do Suriname, após um violento ataque que deixou ao menos 25 feridos. Segundo o Ministério de Relações Exteriores do Brasil, nenhum dos brasileiros corre risco de morte.
O ministério informou ainda que a missão diplomática que viajou neste domingo à cidade de Albina, cerca de 150 km de Paramaribo, encontrou mais um brasileiro que mora no local. A assessoria não sabe dizer, contudo, se ele está ferido ou precisará ser hospitalizado.
A missão diplomática, liderada pelo embaixador, conversa com os brasileiros para obter mais detalhes do ataque e saber se há algum desaparecido.
Neste domingo (27), o embaixador Costa disse que havia, ao todo, 25 feridos. Na Guiana Francesa, o consulado brasileiro localizou nove dos feridos --levados para a cidade de Saint Laurent du Maroni, que fica do outro lado do rio--, dentre os quais se encontra a grávida que perdeu o bebê.
Em nota, a Embaixada do Brasil no Suriname negou que o ataque tenha matado brasileiros --como relataram testemunhas à imprensa.
Segundo o embaixador, a situação em Albina está tranquila. Ele visitou a área acompanhado por representantes da diplomacia surinamesa e uma escolta das forças de segurança surinamesas.
Brasileiros que moram no Suriname e a embaixada disseram que o poder público tem dificuldade para impor a lei no lugar, dominado pelos marrons, como são conhecidos os descendentes de quilombolas.
Ataque
Facões e machados foram utilizados no ataque contra os brasileiros, realizado durante a noite de Natal. Além disso, os surinameses supostamente estupraram mulheres no incidente, ocorrido em Albina.
Albina tem um grande contingente de brasileiros que vão trabalhar com garimpo no outro lado da fronteira --o que é proibido pelas leis daquele território, que ainda pertence aos franceses.
Além de atacar os brasileiros, o grupo invadiu um shopping center e outras lojas da cidade. Os moradores locais chegaram a incendiar algumas lojas e bombeiros de Saint Laurent du Maroni, na Guiana Francesa, ajudaram a extinguir as chamas.