Depois de ser submetido a três cirurgias em 16 dias para a retirada de 22 agulhas, os médicos que acompanham o menino de dois anos e sete meses internado em um hospital da rede pública da Bahia decidiram, na noite desta segunda-feira (28), que a criança vai conviver "por um bom tempo" com nove objetos metálicos que ainda estão alojados em seu corpo. "Estas agulhas não oferecem risco de morte para o menino. Isto não quer dizer que ele não seja submetido a um novo procedimento no futuro", disse Roque Aras, diretor-médico do Hospital Ana Neri.
No final desta tarde, os médicos retiraram mais quatro agulhas da criança - dois objetos da clavícula esquerda, um da axila esquerda e outro que estava localizado entre a sexta e a sétima vértebra da coluna vertebral. De acordo com o cirurgião vascular Ronald Fidélis, o menino reagiu bem à cirurgia e não corre o risco de sequelas. Dentro de 48 horas ele pode deixar a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e retornar para a enfermaria. "Ainda não há previsão de alta hospitalar, mas o fato é que a criança reagiu muito bem a todos os procedimentos", disse Aras.
Para evitar o assédio nas acomodações coletivas, os médicos admitem que a criança poderá ficar mais alguns dias internada na UTI. Desde a semana passada, quando passou pela segunda intervenção cirúrgica, o menino respira sem a ajuda de aparelhos e se alimenta normalmente, por via oral. Com o auxílio de fisioterapeutas, ele também caminhou pelos corredores do hospital.
A Polícia Civil de Ibotirama (BA), onde o caso foi registrado, anunciou que as investigações sobre o caso serão encerradas nesta terça-feira (29). O delegado Helder Fernandes Santana disse que o padrasto da vítima, Roberto Carlos Lopes, 30, que confessou ter introduzido as agulhas no enteado em um ritual religioso, será indiciado por tentativa de homicídio qualificado. Em relação a Angelina dos Santos, 47, amante de Lopes, a polícia não encontrou provas de sua suposta participação no crime. Também por falta de provas, Maria Nascimento, que diz ser mãe de santo, foi libertada nesta semana.
Desde que chegou ao hospital, o menino foi "adotado" por todos os funcionários da instituição. "Nos momentos de folga, todos passam para vê-lo. Ele é muito dócil e seu sofrimento comoveu todo o Brasil", afirmou a psicóloga Renata Matos. A criança também ganhou presentes, cartões de Natal e dinheiro - muitas empresas doaram alimentos e até mesmo um aparelho de telefone celular para a avó da criança se comunicar com sua filha, Maria Souza dos Santos, que o acompanha em Salvador.
Enquanto a menino permanece internado em Salvador, seus cinco irmãos estão sob os cuidados da avó.